É importante entendermos algumas coisas sobre o processo inflação. Em primeiro lugar que aumento de preço não é inflação. Segundo os compêndios de economia, inflação é aumento persistente e geral dos preços de uma economia. Ou seja, uma gama de preços aumentando sistematicamente. Tal processo gera uma perda no poder aquisitivo da moeda nacional. Como costumo dizer, economia é gestão de recursos escassos diante de necessidades infinitas. Ou melhor, é cobertor curto - se cobrirmos os pés a cabeça fica descoberta. Evidentemente que parte e reparte fica com a melhor parte. Assim, quem mexe o cobertor cobre o que bem lhe convém. Da mesma forma, em qualquer situação econômica, sempre que alguém perde alguém ganha. Mas quem pode ganhar e quem pode perder com a inflação? Todo aquele que vive de rendimentos fixos como salários e aluguéis, por exemplo, perde. Assim como todo aquele que vive de rendimentos variáveis como juros e comissões, ganha. Dessa forma, banqueiros ganham (bom, eles ganham sempre!) e assalariados perdem.
Em segundo lugar, por que eles acontecem. A inflação pode ter várias formas e causas, mas as mais comuns são as inflações de demanda, onde há mais compradores do que vendedores. E a inflação de custos, onde importantes componentes e ou insumos, como o petróleo, sofrem grandes aumentos de preços. Mas, há ainda um componente, normalmente preterido pelos analistas, mas que pode acelerar ou mesmo iniciar um processo inflacionário – as expectativas dos agentes econômicos. Explico melhor. Um lojista que imagina que os preços de seus fornecedores, por alguma razão qualquer vão aumentar, imediatamente aumenta seus preços de vendas. Evidentemente, esse tipo de atitude somente resultará em um processo inflacionário com um nível de contágio alto. Quando falamos de nível de contágio, estamos falando do que parece ser a atual preocupação do governo ao criticar a mídia pela divulgação excessiva, segundo o governo, de dados referentes a aumentos de preços. Nossa percepção de preocupação do governo com contágio é corroborada pela recente atitude do Instituto de Pesquisas Econômicas – IPEA de não mais divulgar estudos de projeção inflacionária trimestrais, segundo o IPEA por ordens do Palácio do Planalto.
Não discordo do entendimento do governo sobre essas questões, de que podem fomentar uma corrida às prateleiras e etc. Apenas questiono se sob o argumento de ser pelo bem maior do país, pode-se privá-lo de informações absolutamente técnicas. Vale lembrar que essas informações são usadas, na sua esmagadora maioria, por acadêmicos e profissionais de empresas no exercício de suas funções profissionais. Esse é um caminho perigoso que atenta contra a liberdade de informações, pois pressupõe que alguém tem poder e sabedoria para saber o que é melhor para todos.
Mas vamos ao que interessa, há um processo de aceleração da inflação afinal de contas, ou não? Os dados publicados pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos – DIEESE para o custo da cesta básica em São Paulo: maio/06 R$ 182,95; maio/07 R$ 184,95; novembro/07 R$ 205,48; fevereiro/08 R$ 226,20; abril/08 R$ 227,81 e maio/08 R$ 233,92; mostram claramente uma aceleração dos preços da cesta básica, chegando a um aumento de R$ 30,7% em 24 meses e 26,5% em 12 meses, ou ainda 13,8% nos últimos 3 meses, o que está muito acima das metas de inflação. Então, não estamos falando sobre expectativas ou impressões. Estamos verificando o que está acontecendo com os preços de itens que afetam diretamente o bolso do brasileiro. A nós, pobres mortais, não interessam os preços de commodities ou do “barril tipo Brent”, a maioria de nós jamais se quer viu coisa parecida, nem sabe se é para comer ou para passar no cabelo. Interessa-nos, é o que nos afeta diretamente. Estamos falando da sobrevivência do assalariado. “Quanto sobre de mês no meu salário?” Com milhões de miseráveis “vivendo” abaixo da linha de pobreza, estamos em um país fisiológico, que vota pensando apenas no hoje. Vendo o almoço para pagar o jantar e amanhã...bem, amanhã é outro dia.
Portanto, não vamos perder tempo discutindo se há ou não uma aceleração do processo inflacionário. Isso é fato! A questão agora é saber até onde ele evoluirá. Trata-se de um processo de escala mundial, no qual os preços do petróleo têm influência relevante. Os preços dessa commodity estão sob intenso bombardeio de mega-especuladores que aumentam suas fortunas nas ondas no mercado internacional.
Econometristas do mundo todo procuram avaliar o que se passou para projetar o que virá, mas como fazê-lo com tamanha incerteza na geopolítica mundial? O cenário é incerto, porém com forte tendência à estaginflação – inflação com recessão. Não é ruim, é péssimo! Apertem os cintos, esqueçam os cartões de crédito e não façam novas dívidas, a vítima poderá ser você! Lembram desse slogan? Não estou sendo pessimista, ao contrário. Sabedores da realidade, podemos e devemos nos preparar. Afinal, crise é momento de grandes oportunidades.
14 agosto 2008
06 janeiro 2008
Ao considerarmos o nervosismo do mercado financeiro mundial frente ao bom momento da economia brasileira podemos ficar tranqüilos?
Essa pergunta, seguramente vale um milhão de dólares!
O mercado financeiro internacional permanece instável por conta do problema do crédito imobiliário americano, as chamadas sub-primes (que já discutimos em artigo anterior). Parece que ninguém é capaz ainda, de dimensionar o tamanho do problema que já começa a sinalizar a possibilidade de uma estaginflação da economia norte-americana. A maior economia do planeta tem o poder de arrastar atrás de si, para o bem ou para o mal, todos os demais. Alguns mais outros menos, dependendo do grau de relacionamento de cada país com os Estados Unidos. No que diz respeito ao mercado financeiro, é inexorável que o Brasil sofra de alguma forma os reflexos de uma crise na economia norte-americana.
A Bolsa de Valores de São Paulo, através de seu índice Ibovespa (IBOV), é o termômetro das expectativas dos investidores. Mas, o capital estrangeiro não tem representado mais do que 10% do total movimentado nos pregões. Nas mais recentes crises o IBOV tem caído em média de 9 a 10%. Na última, em agosto, chegou a 12%. Quanto disso é realmente revoada de capital estrangeiro, capital nacional e quanto é "efeito manada" é difícil precisar. Mas, até então, em 30-45 dias em média, o índice retorna aos níveis anteriores e retoma o crescimento. É importante lembrar que: SEMPRE alguém está ganhando o que outro está perdendo.
O capital especulativo procura as melhores remunerações sob os menores riscos. Nesse aspecto o Brasil tem se mostrado bastante atrativo, pois reúne altas taxas de juros, que remuneram esse capital de forma bastante interessante, com uma economia e um cenário político estável.
A revista inglesa The Economist (que infelizmente você pode comprar em qualquer banca de jornal do Rio ou São Paulo, mas não em Goiânia) de 24 de novembro último, aborda o tema dos modelos de previsão econômica. Esses modelos, fundamentalmente matemáticos, têm como ponto forte trabalhar com dados históricos. Ou seja, dados que expressam o que realmente aconteceu. E como ponto fraco a premissa de que os agentes econômicos tomam suas decisões de forma racional. Ou seja, você vai comprar uma TV que é mais adequada às suas necessidades e não aquela que é mais bonita (sic), ou que tem recursos que você nunca vai usar ou nem entende. Dessa forma, como apostar suas fichas em um modelo que não consegue capturar a realidade dos fatos? Na verdade, estamos procurando aprender a tomar decisões baseadas em informações imperfeitas. Em outras palavras, estamos desenvolvendo novas formas de modelagem que nos permitam predizer decisões irracionais com maior precisão. Complicado? É mesmo!
Mas, voltando a nossa pergunta inicial, podemos ou não ficar tranqüilos diante desse cenário?
1. Existe sim, uma crise internacional, capitaneada pela economia norte-americana. Que só para dar uma idéia, é 12 vezes maior do que a economia brasileira. O Banco de Investimentos Merryll Lynch divulgou relatório onde avalia que as chances de recessão na economia norte-americana passaram de 75% no último relatório para 100% no atual.
2. A Economia brasileira está em um de seus melhores momentos em termos macroeconômicos.
3. O grau de abertura (exportações + importações / PIB) de nossa economia vem crescendo ano a ano. O que aumenta nossa exposição ao risco. Mas, tem sido contrabalançado com o desenvolvimento do mercado doméstico.
4. Estamos diante de informações imperfeitas. Ninguém sabe o tamanho do problema.
Uma das maiores ameaça que pode haver no sistema financeiro está na cabeça das pessoas. Grandes ameaças podem gerar pânico e este o temível “efeito manada”. Saem todos correndo sem direção. Boatos podem quebrar instituições em momentos de pânico. Na verdade, nesse caso, vemos as autoridades financeiras precisando o tamanho do problema por dois motivos possíveis: Ou não sabem realmente, ou temem gerar pânico. Mas, as ações comitentes dos diversos bancos centrais demonstram tão somente a seriedade da questão.
Risco é parte de qualquer negócio. Um bom empreendedor vê no problema uma oportunidade. Se o problema é segurança, desenvolva e venda esse produto! O Brasil tem em suas mãos a melhor oportunidade de sua história, para dar finalmente um passo em direção à grandeza. Chega de mediocridade, chega de pensar pequeno. Somos a 6ª economia do mundo e devemos conduzir nossos assuntos sob esta ótica.
Gastos do tamanho do bolso (disciplina fiscal), ou de nossa capacidade de alavancagem. Balança Comercial mais diversificada (menos concentrada em EUA e Europa). Aliadas a taxas de crescimento que demonstrem uma economia dinâmica e distribuição de renda que sinalizem a sustentabilidade de todo o processo de desenvolvimento sócio-econômico são o nosso produto - segurança. Eis aí a oportunidade!
Há ameaças? Sim, mas lembre-se que alguém vai tirar vantagem disso. Que seja você!
Feliz Natal e um Ano de Paz e Prosperidade!
Que Deus abençoe o nosso Brasil!
O mercado financeiro internacional permanece instável por conta do problema do crédito imobiliário americano, as chamadas sub-primes (que já discutimos em artigo anterior). Parece que ninguém é capaz ainda, de dimensionar o tamanho do problema que já começa a sinalizar a possibilidade de uma estaginflação da economia norte-americana. A maior economia do planeta tem o poder de arrastar atrás de si, para o bem ou para o mal, todos os demais. Alguns mais outros menos, dependendo do grau de relacionamento de cada país com os Estados Unidos. No que diz respeito ao mercado financeiro, é inexorável que o Brasil sofra de alguma forma os reflexos de uma crise na economia norte-americana.
A Bolsa de Valores de São Paulo, através de seu índice Ibovespa (IBOV), é o termômetro das expectativas dos investidores. Mas, o capital estrangeiro não tem representado mais do que 10% do total movimentado nos pregões. Nas mais recentes crises o IBOV tem caído em média de 9 a 10%. Na última, em agosto, chegou a 12%. Quanto disso é realmente revoada de capital estrangeiro, capital nacional e quanto é "efeito manada" é difícil precisar. Mas, até então, em 30-45 dias em média, o índice retorna aos níveis anteriores e retoma o crescimento. É importante lembrar que: SEMPRE alguém está ganhando o que outro está perdendo.
O capital especulativo procura as melhores remunerações sob os menores riscos. Nesse aspecto o Brasil tem se mostrado bastante atrativo, pois reúne altas taxas de juros, que remuneram esse capital de forma bastante interessante, com uma economia e um cenário político estável.
A revista inglesa The Economist (que infelizmente você pode comprar em qualquer banca de jornal do Rio ou São Paulo, mas não em Goiânia) de 24 de novembro último, aborda o tema dos modelos de previsão econômica. Esses modelos, fundamentalmente matemáticos, têm como ponto forte trabalhar com dados históricos. Ou seja, dados que expressam o que realmente aconteceu. E como ponto fraco a premissa de que os agentes econômicos tomam suas decisões de forma racional. Ou seja, você vai comprar uma TV que é mais adequada às suas necessidades e não aquela que é mais bonita (sic), ou que tem recursos que você nunca vai usar ou nem entende. Dessa forma, como apostar suas fichas em um modelo que não consegue capturar a realidade dos fatos? Na verdade, estamos procurando aprender a tomar decisões baseadas em informações imperfeitas. Em outras palavras, estamos desenvolvendo novas formas de modelagem que nos permitam predizer decisões irracionais com maior precisão. Complicado? É mesmo!
Mas, voltando a nossa pergunta inicial, podemos ou não ficar tranqüilos diante desse cenário?
1. Existe sim, uma crise internacional, capitaneada pela economia norte-americana. Que só para dar uma idéia, é 12 vezes maior do que a economia brasileira. O Banco de Investimentos Merryll Lynch divulgou relatório onde avalia que as chances de recessão na economia norte-americana passaram de 75% no último relatório para 100% no atual.
2. A Economia brasileira está em um de seus melhores momentos em termos macroeconômicos.
3. O grau de abertura (exportações + importações / PIB) de nossa economia vem crescendo ano a ano. O que aumenta nossa exposição ao risco. Mas, tem sido contrabalançado com o desenvolvimento do mercado doméstico.
4. Estamos diante de informações imperfeitas. Ninguém sabe o tamanho do problema.
Uma das maiores ameaça que pode haver no sistema financeiro está na cabeça das pessoas. Grandes ameaças podem gerar pânico e este o temível “efeito manada”. Saem todos correndo sem direção. Boatos podem quebrar instituições em momentos de pânico. Na verdade, nesse caso, vemos as autoridades financeiras precisando o tamanho do problema por dois motivos possíveis: Ou não sabem realmente, ou temem gerar pânico. Mas, as ações comitentes dos diversos bancos centrais demonstram tão somente a seriedade da questão.
Risco é parte de qualquer negócio. Um bom empreendedor vê no problema uma oportunidade. Se o problema é segurança, desenvolva e venda esse produto! O Brasil tem em suas mãos a melhor oportunidade de sua história, para dar finalmente um passo em direção à grandeza. Chega de mediocridade, chega de pensar pequeno. Somos a 6ª economia do mundo e devemos conduzir nossos assuntos sob esta ótica.
Gastos do tamanho do bolso (disciplina fiscal), ou de nossa capacidade de alavancagem. Balança Comercial mais diversificada (menos concentrada em EUA e Europa). Aliadas a taxas de crescimento que demonstrem uma economia dinâmica e distribuição de renda que sinalizem a sustentabilidade de todo o processo de desenvolvimento sócio-econômico são o nosso produto - segurança. Eis aí a oportunidade!
Há ameaças? Sim, mas lembre-se que alguém vai tirar vantagem disso. Que seja você!
Feliz Natal e um Ano de Paz e Prosperidade!
Que Deus abençoe o nosso Brasil!
24 outubro 2007
CRESCIMENTO E MEIO AMBIENTE
Algum tempo atrás, mais precisamente no Dia Mundial do Meio Ambiente, 05 de maio, li matérias em vários jornais locais, nacionais e internacionais. Assisti ainda, a alguns bons documentários, e terminei o dia pensando de que forma toda essa informação poderia ajudar o cidadão comum a entender melhor o que realmente está acontecendo. De que forma as mudanças no meio ambiente afetam sua vida e de que forma sua vida afeta o meio ambiente. Afinal, nos deparamos com duas visões diametralmente opostas em relação ao meio ambiente. A primeira, mais recorrente, dá um prognóstico tão cataclísmico que nos induz, por absoluta necessidade de evitar o pânico e o desespero, a ignorá-la e naturalmente optar pela outra visão. A segunda, procura amenizar um pouco a situação atual e ainda oferece a benesse de que a tecnologia vai resolver todos os problemas. Infelizmente, no mundo moderno onde você acaba conhecendo um pouco de tudo, sem conhecer realmente nada de verdade – um generalista – , as abordagens são simplistas e tendem a evidenciar apenas os dois extremos de uma mesma idéia. Ou seja, ou é preto ou é branco. Nuances de cinza são peremptoriamente ignoradas.
Não exito um instante sequer em afirmar que a questão ambiental é o assunto mais complexo e de maior importância que a humanidade já se defrontou. Ele afeta à todas as áreas da existência humana e portanto demanda conhecimento holístico e sistêmico. Imagine conseguir consenso sobre um tema vital à nossa existência reunindo numa mesma mesa de negociação advogados, engenheiros, economistas, administradores, médicos, biólogos, zoólogos, botânicos, políticos, brasileiros, argentinos, chineses, líbios, franceses, canadenses, patrões, empregados etc. São milhões de visões diferentes, com interesses diferentes (muitas vezes divergentes) e com graus de motivação diferentes. Dá para imaginar a discussão?
A questão ambiental começou a ser discutida publicamente quando grupos isolados de ecologistas apareceram na mídia defendendo animais em extinção, matas e rios aqui e ali. Eram idealistas e românticos que colocavam sua própria integridade física em risco, mas conseguiam angariar simpatia e apoio por onde passassem. Esses grupos se organizaram, cresceram e acabaram atingindo proporções econômicas, em alguns casos, respeitáveis.
O homem, e sua volúpia de desejos incontroláveis, eram os grandes vilões que faziam o que fosse preciso para conseguir o que queriam, extinguindo espécies e destruindo tudo a sua volta, sem um pingo de remorso.
Essa idéia, apoiada pela máxima de crescer a qualquer custo, tinha como seu oposto a visão, então vigente, de que era mais importante a preservação de determinado rio e seu eco-sistema, do que a sobrevivência das populações ribeirinhas. O mundo seria lindo, limpo e sem o homem para destruí-lo. Poderíamos, segundo essa turma, morar na lua e admirar à distância a beleza da terra.
Mas foi preciso que o idealismo e até mesmo o romantismo desses pioneiros da questão ambiental, plantasse a semente do que hoje é uma das questões mais complexas da humanidade e que afeta sua própria existência.
O homem não é estranho ao meio ambiente, ele é parte do mesmo. A questão ambiental não deve ser encarada como uma restrição à atividade econômica e sim como um componente de continuidade dessa atividade - de sustentabilidade de nossa civilização. Afinal, em ambiente em processo de degradação a atividade econômica é efetivamente refreada. A sustentabilidade ambiental é por conseguinte a própria sustentabilidade da atividade econômica.
A terra está em processo de aquecimento, as geleiras derretendo, o nível do mar subindo, o ar e a água a cada dia mais poluídos, as florestas estão sendo devastadas, as matas queimadas etc. Como tudo isso está acontecendo e como estou contribuindo para esse aparente apocalipse? A resposta para essa pergunta é simples e perturbadora. Simples porque não exige nenhuma qualificação especial para entender e perturbadora porque ela está inserida na essência do nosso modelo de produção e por conseguinte de existência. O consumo, que mantém toda a engrenagem do modelo capitalista funcionando é a origem da degradação ambiental. Quanto mais você consome, não importa o quê, mais é retirado (do estado limpo) e mais é despejado (em estado poluente) no meio ambiente. Para onde foi o último pneu que você trocou, e as baterias do seu celular? Você já visitou um aterro sanitário, um lixão? Devia.
Todos sabemos que a melhor prática de manutenção, tanto em nossas casa quanto em nosso escritórios, é o de que: “se não sujarmos, não precisamos limpar”. Certa ocasião, fiz uma reunião com os funcionários da empresa onde trabalhava , era uma grande loja de departamentos (a maior da época), e ao falarmos de salários e comissões expliquei que o bolo salarial era um só e que a necessidade de pessoas catando lixo pela empresa que os próprios empregados jogavam em lugares inadequados, ou mesmo de fiscais para vigiar atos indevidos, corroíam as possibilidades de melhores ganhos para todos. Atitudes responsáveis beneficiam a comunidade como um todo. Sistemas burocráticos, têm como objetivo evitar ou dificultar falhas/fraudes nos processos de uma maneira geral. Isso é desperdício, isso é consumo desnecessário. E pode ser combatido com mudanças de atitudes. Nossa sociedade tem que dar um basta na “lei do morro” - não ví nada, não sei de nada, não me envolvam. Você ensina seus filhos a “se dar bem” ou a “ser do bem”?
O homem é cheio de surpresas e agora busca os biodegradáveis, a coleta seletiva de lixo, a reciclagem, re-uso e usos inteligentes. Cria leis ambientais e projetos de educação ambiental. O que você faz quando vê uma mensagem no hotel pedindo para você economizar a água? Eu hein! Estou pagando e ainda tenho que me preocupar em economizar água para esses caras? Você lava calçada com a mangueira jorrando água para todo lado? Ou escovas os dentes com a torneira aberta? Não podemos simplesmente parar de consumir. Mas, o desperdício no Brasil ainda é um problema de origem cultural com efeitos nefastos em nosso bem-estar. Em nosso cotidiano, sem perceber, estamos desperdiçando o que poderia fazer a diferença em um futuro próximo. Simples mudanças de hábitos, são atitudes que podemos tomar imediatamente sem comprometer nosso estilo de vida. Não precisamos ficar esperando por programas mirabolantes do governo ou de quem quer que seja, para começarmos a mudar o ambiente em que nossos filhos vão viver. Lembrem-se que a água já foi um bem gratuito.
Não exito um instante sequer em afirmar que a questão ambiental é o assunto mais complexo e de maior importância que a humanidade já se defrontou. Ele afeta à todas as áreas da existência humana e portanto demanda conhecimento holístico e sistêmico. Imagine conseguir consenso sobre um tema vital à nossa existência reunindo numa mesma mesa de negociação advogados, engenheiros, economistas, administradores, médicos, biólogos, zoólogos, botânicos, políticos, brasileiros, argentinos, chineses, líbios, franceses, canadenses, patrões, empregados etc. São milhões de visões diferentes, com interesses diferentes (muitas vezes divergentes) e com graus de motivação diferentes. Dá para imaginar a discussão?
A questão ambiental começou a ser discutida publicamente quando grupos isolados de ecologistas apareceram na mídia defendendo animais em extinção, matas e rios aqui e ali. Eram idealistas e românticos que colocavam sua própria integridade física em risco, mas conseguiam angariar simpatia e apoio por onde passassem. Esses grupos se organizaram, cresceram e acabaram atingindo proporções econômicas, em alguns casos, respeitáveis.
O homem, e sua volúpia de desejos incontroláveis, eram os grandes vilões que faziam o que fosse preciso para conseguir o que queriam, extinguindo espécies e destruindo tudo a sua volta, sem um pingo de remorso.
Essa idéia, apoiada pela máxima de crescer a qualquer custo, tinha como seu oposto a visão, então vigente, de que era mais importante a preservação de determinado rio e seu eco-sistema, do que a sobrevivência das populações ribeirinhas. O mundo seria lindo, limpo e sem o homem para destruí-lo. Poderíamos, segundo essa turma, morar na lua e admirar à distância a beleza da terra.
Mas foi preciso que o idealismo e até mesmo o romantismo desses pioneiros da questão ambiental, plantasse a semente do que hoje é uma das questões mais complexas da humanidade e que afeta sua própria existência.
O homem não é estranho ao meio ambiente, ele é parte do mesmo. A questão ambiental não deve ser encarada como uma restrição à atividade econômica e sim como um componente de continuidade dessa atividade - de sustentabilidade de nossa civilização. Afinal, em ambiente em processo de degradação a atividade econômica é efetivamente refreada. A sustentabilidade ambiental é por conseguinte a própria sustentabilidade da atividade econômica.
A terra está em processo de aquecimento, as geleiras derretendo, o nível do mar subindo, o ar e a água a cada dia mais poluídos, as florestas estão sendo devastadas, as matas queimadas etc. Como tudo isso está acontecendo e como estou contribuindo para esse aparente apocalipse? A resposta para essa pergunta é simples e perturbadora. Simples porque não exige nenhuma qualificação especial para entender e perturbadora porque ela está inserida na essência do nosso modelo de produção e por conseguinte de existência. O consumo, que mantém toda a engrenagem do modelo capitalista funcionando é a origem da degradação ambiental. Quanto mais você consome, não importa o quê, mais é retirado (do estado limpo) e mais é despejado (em estado poluente) no meio ambiente. Para onde foi o último pneu que você trocou, e as baterias do seu celular? Você já visitou um aterro sanitário, um lixão? Devia.
Todos sabemos que a melhor prática de manutenção, tanto em nossas casa quanto em nosso escritórios, é o de que: “se não sujarmos, não precisamos limpar”. Certa ocasião, fiz uma reunião com os funcionários da empresa onde trabalhava , era uma grande loja de departamentos (a maior da época), e ao falarmos de salários e comissões expliquei que o bolo salarial era um só e que a necessidade de pessoas catando lixo pela empresa que os próprios empregados jogavam em lugares inadequados, ou mesmo de fiscais para vigiar atos indevidos, corroíam as possibilidades de melhores ganhos para todos. Atitudes responsáveis beneficiam a comunidade como um todo. Sistemas burocráticos, têm como objetivo evitar ou dificultar falhas/fraudes nos processos de uma maneira geral. Isso é desperdício, isso é consumo desnecessário. E pode ser combatido com mudanças de atitudes. Nossa sociedade tem que dar um basta na “lei do morro” - não ví nada, não sei de nada, não me envolvam. Você ensina seus filhos a “se dar bem” ou a “ser do bem”?
O homem é cheio de surpresas e agora busca os biodegradáveis, a coleta seletiva de lixo, a reciclagem, re-uso e usos inteligentes. Cria leis ambientais e projetos de educação ambiental. O que você faz quando vê uma mensagem no hotel pedindo para você economizar a água? Eu hein! Estou pagando e ainda tenho que me preocupar em economizar água para esses caras? Você lava calçada com a mangueira jorrando água para todo lado? Ou escovas os dentes com a torneira aberta? Não podemos simplesmente parar de consumir. Mas, o desperdício no Brasil ainda é um problema de origem cultural com efeitos nefastos em nosso bem-estar. Em nosso cotidiano, sem perceber, estamos desperdiçando o que poderia fazer a diferença em um futuro próximo. Simples mudanças de hábitos, são atitudes que podemos tomar imediatamente sem comprometer nosso estilo de vida. Não precisamos ficar esperando por programas mirabolantes do governo ou de quem quer que seja, para começarmos a mudar o ambiente em que nossos filhos vão viver. Lembrem-se que a água já foi um bem gratuito.
21 outubro 2007
COPOM x Crescimento
A semana foi tomada pela já habitual discussão mensal sobre a decisão do COPOM, manteriam ou aumentariam a CELIC?
De um lado os defensores da redução dos juros em prol do crescimento econômico. De outro, os defensores de uma política mais cautelosa pela estabilidade de preços.
Os economistas, não raro, se acham revestidos de um conhecimento que lhes dá ares superiores e muitas vezes misteriosos. Dominadores e doutos da Ciência Econômica têm todos uma única opinião consensual – entre si, não concordam em nada!
O COPOM em última instância está atento às metas de inflação e, portanto buscando mantê-la dentro do esperado. E aí já começa a discussão. Tomam-se decisões exclusivamente em relação a política monetária e mais especificamente em relação às metas de inflação. O “foco” do BC acaba por desconsiderar outras necessidades do país. Imagine um médico que diz ser responsável apenas pelo controle da febre, sem tomar conhecimento do estado geral do paciente. Se ele estiver em processo de inanição ou aneroxia, isso não importa a esse médico, não é função dele... Assim é o BC, não tem maiores preocupações com o Brasil como um todo. Em crescente pujança ou aneróxico? Não importa isso não é com ele.
De qualquer forma, o ponto central da decisão do COPOM, a eventualidade de uma inflação de demanda nem de longe é unanimidade entre os economistas. Acreditam alguns que o Brasil pode crescer até 4,5% sem qualquer aceleração da inflação. Afinal o IPCA de setembro de 0,18% não pode assustar ninguém. Entretanto, é bom ressaltar que já existe gente falando que, dado o volume atingido, o financiamento de veículos novos e usados vai ser o nosso sub-prime.
Infelizmente o Brasil insiste em andar na contramão da economia mundial. A manutenção da taxa SELIC, pode ser ainda mais perversa aos anseios do setor produtivo, caso o Federal Reserve – FED, Banco Central norte-americano resolva, como é provável, cortar ainda mais a taxa de juros norte-americana. Teríamos nesse caso, uma supervalorização do real frente à moeda americana com prejuízos consideráveis ao setor produtivo nacional. Uma verdadeira inundação de dólares.
A quem isso interessa?
De um lado os defensores da redução dos juros em prol do crescimento econômico. De outro, os defensores de uma política mais cautelosa pela estabilidade de preços.
Os economistas, não raro, se acham revestidos de um conhecimento que lhes dá ares superiores e muitas vezes misteriosos. Dominadores e doutos da Ciência Econômica têm todos uma única opinião consensual – entre si, não concordam em nada!
O COPOM em última instância está atento às metas de inflação e, portanto buscando mantê-la dentro do esperado. E aí já começa a discussão. Tomam-se decisões exclusivamente em relação a política monetária e mais especificamente em relação às metas de inflação. O “foco” do BC acaba por desconsiderar outras necessidades do país. Imagine um médico que diz ser responsável apenas pelo controle da febre, sem tomar conhecimento do estado geral do paciente. Se ele estiver em processo de inanição ou aneroxia, isso não importa a esse médico, não é função dele... Assim é o BC, não tem maiores preocupações com o Brasil como um todo. Em crescente pujança ou aneróxico? Não importa isso não é com ele.
De qualquer forma, o ponto central da decisão do COPOM, a eventualidade de uma inflação de demanda nem de longe é unanimidade entre os economistas. Acreditam alguns que o Brasil pode crescer até 4,5% sem qualquer aceleração da inflação. Afinal o IPCA de setembro de 0,18% não pode assustar ninguém. Entretanto, é bom ressaltar que já existe gente falando que, dado o volume atingido, o financiamento de veículos novos e usados vai ser o nosso sub-prime.
Infelizmente o Brasil insiste em andar na contramão da economia mundial. A manutenção da taxa SELIC, pode ser ainda mais perversa aos anseios do setor produtivo, caso o Federal Reserve – FED, Banco Central norte-americano resolva, como é provável, cortar ainda mais a taxa de juros norte-americana. Teríamos nesse caso, uma supervalorização do real frente à moeda americana com prejuízos consideráveis ao setor produtivo nacional. Uma verdadeira inundação de dólares.
A quem isso interessa?
19 agosto 2007
Estado Mínimo
Me leva para a outra margem do rio? Perguntou o escorpião.
De jeito nenhum, você vai me picar e eu vou morrer! Respondeu o sapo.
Mas se eu te picar você afunda e eu morro junto, eu nunca faria isso! Disse o escorpião.
Você tem razão, então vamos lá. O escorpião subiu nas costas do sapo e partiram. Mas, quando estavam no meio do rio, o escorpião picou o sapo. O sapo já desfalecendo perguntou para o escorpião: Por que você fez isso? E o escorpião respondeu: Não pude evitar, é a minha natureza.
Está gravado no DNA do capitalismo, e se fosse remédio deveria vir indicado na bula – Atenção! Efeitos colaterais já observados em diversos pacientes: causa acumulação e concentração de renda. Se persistirem os sintomas procure um especialista.
O capitalismo é selvagem, arredio a controle central e arisco à presença de qualquer objetivo que não seja o lucro. Ao menor sinal de perigo, corre ou ataca. É a natureza dele.
Marx, cidadão de outros tempos e outras paradas, previu o colapso do capitalismo e pregou o Estado Máximo, proprietário da máquina e da decisão, como o único antídoto capaz de combater a exclusão social que o capitalismo gera em sua ânsia de acumulação e concentração. Sua idéia de um estado onipotente e onisciente, que conhecedor do bem e do mal era capaz de determinar o que era bom para todos e, por conseguinte bom para cada um, foi detonada pela natureza ego-centrista e relativista do homem.
Noutros tempos e lugares, os neoliberais propõem o Estado Mínimo, apostando todas as suas fichas na liberdade de mercado. Mas como Marx, esqueceram a natureza do seu objeto de estudo – o capitalismo, e entregam as chaves do galinheiro à raposa. Talvez, no hemisfério dos anglo-saxões, com os problemas básicos de sobrevivência já resolvidos, faça sentido um mercado mais livre e competitivo. Mas, pela altura do Trópico de Capricórnio, onde o Brasil lidera uma longa fila de nações que precisam encarar e resolver, de uma vez por todas, o problema da miséria e das desigualdades sociais, isso não faz muito sentido.
Com 40 milhões de cidadãos vivendo abaixo da linha de subsistência, o Brasil não pode se dar ao luxo de deixar o mercado, e principalmente, o seu povo entregue às leis do mercado. Seria a Lei da Selva, só sobreviveriam os mais fortes, e aqui o mais forte é aquele que tem mais dinheiro.
Não cabem em uma situação como essa, frases de salão do tipo: é melhor ensinar a pescar do que dar o peixe. A turma está morrendo de fome e não tem tempo para aprender, só para sobreviver. Tão pouco, políticas assistencialistas, que isoladas e sem um plano de recuperação, nada fazem além de adiar o problema. O Fome Zero, descolado de um programa de recuperação e desenvolvimento de longo prazo, não passa de palanque eleitoral inócuo e hipócrita. Por outro lado, qualquer programa de desenvolvimento sem assistência efetiva e urgente à essa população é igualmente inócuo e hipócrita, uma vez que esse exército de miseráveis corroerá qualquer tentativa de decolagem.
Então como ficamos? A miséria corroe a economia e a economia, em seu modelo de produção capitalista, corroe as classes menos favorecidas. Marx não tinha razão, afinal não foi o capitalismo que se afogou em suas próprias lágrimas, e o modelo neoliberal não se aplica à nossa realidade de diferenças e desequilíbrios tropicais.
No meio do caminho, Keynes percebeu a grande capacidade do modelo de produção capitalista e propôs alguns ajustes a essa poderosa máquina de gerar produto, para que a mesma também pudesse gerar correções de rumo e evitasse assim o colapso profetizado por Marx. Keynes entendeu o Governo como um agente de grande porte que poderia, visando a economia como um todo, ajustar as engrenagens na direção do bem-maior do todo. Mas, atenção! Como dizia Mr. Keynes: "No longo prazo estaremos todos mortos".
De jeito nenhum, você vai me picar e eu vou morrer! Respondeu o sapo.
Mas se eu te picar você afunda e eu morro junto, eu nunca faria isso! Disse o escorpião.
Você tem razão, então vamos lá. O escorpião subiu nas costas do sapo e partiram. Mas, quando estavam no meio do rio, o escorpião picou o sapo. O sapo já desfalecendo perguntou para o escorpião: Por que você fez isso? E o escorpião respondeu: Não pude evitar, é a minha natureza.
Está gravado no DNA do capitalismo, e se fosse remédio deveria vir indicado na bula – Atenção! Efeitos colaterais já observados em diversos pacientes: causa acumulação e concentração de renda. Se persistirem os sintomas procure um especialista.
O capitalismo é selvagem, arredio a controle central e arisco à presença de qualquer objetivo que não seja o lucro. Ao menor sinal de perigo, corre ou ataca. É a natureza dele.
Marx, cidadão de outros tempos e outras paradas, previu o colapso do capitalismo e pregou o Estado Máximo, proprietário da máquina e da decisão, como o único antídoto capaz de combater a exclusão social que o capitalismo gera em sua ânsia de acumulação e concentração. Sua idéia de um estado onipotente e onisciente, que conhecedor do bem e do mal era capaz de determinar o que era bom para todos e, por conseguinte bom para cada um, foi detonada pela natureza ego-centrista e relativista do homem.
Noutros tempos e lugares, os neoliberais propõem o Estado Mínimo, apostando todas as suas fichas na liberdade de mercado. Mas como Marx, esqueceram a natureza do seu objeto de estudo – o capitalismo, e entregam as chaves do galinheiro à raposa. Talvez, no hemisfério dos anglo-saxões, com os problemas básicos de sobrevivência já resolvidos, faça sentido um mercado mais livre e competitivo. Mas, pela altura do Trópico de Capricórnio, onde o Brasil lidera uma longa fila de nações que precisam encarar e resolver, de uma vez por todas, o problema da miséria e das desigualdades sociais, isso não faz muito sentido.
Com 40 milhões de cidadãos vivendo abaixo da linha de subsistência, o Brasil não pode se dar ao luxo de deixar o mercado, e principalmente, o seu povo entregue às leis do mercado. Seria a Lei da Selva, só sobreviveriam os mais fortes, e aqui o mais forte é aquele que tem mais dinheiro.
Não cabem em uma situação como essa, frases de salão do tipo: é melhor ensinar a pescar do que dar o peixe. A turma está morrendo de fome e não tem tempo para aprender, só para sobreviver. Tão pouco, políticas assistencialistas, que isoladas e sem um plano de recuperação, nada fazem além de adiar o problema. O Fome Zero, descolado de um programa de recuperação e desenvolvimento de longo prazo, não passa de palanque eleitoral inócuo e hipócrita. Por outro lado, qualquer programa de desenvolvimento sem assistência efetiva e urgente à essa população é igualmente inócuo e hipócrita, uma vez que esse exército de miseráveis corroerá qualquer tentativa de decolagem.
Então como ficamos? A miséria corroe a economia e a economia, em seu modelo de produção capitalista, corroe as classes menos favorecidas. Marx não tinha razão, afinal não foi o capitalismo que se afogou em suas próprias lágrimas, e o modelo neoliberal não se aplica à nossa realidade de diferenças e desequilíbrios tropicais.
No meio do caminho, Keynes percebeu a grande capacidade do modelo de produção capitalista e propôs alguns ajustes a essa poderosa máquina de gerar produto, para que a mesma também pudesse gerar correções de rumo e evitasse assim o colapso profetizado por Marx. Keynes entendeu o Governo como um agente de grande porte que poderia, visando a economia como um todo, ajustar as engrenagens na direção do bem-maior do todo. Mas, atenção! Como dizia Mr. Keynes: "No longo prazo estaremos todos mortos".
18 agosto 2007
Keynesiano ou liberal? Sou cristão!
Algum tempo atrás um colega professor me chamou de keynesiano. Pouco tempo depois fui taxado por outro colega, como se uma ofensa fosse, de liberal. Ou não sabem o que estão dizendo ou estou oscilando entre uma e outra doutrina.Eu sou é botafoguense e a única doutrina que sigo é a cristã!
No blog vocês podem ver uma foto do Keynes. Mas, poderiam ver também do Ricardo, Marx, Smith, Schumpeter, Marshall...Todos grandes pensadores, mas como já disse a única camisa que visto é a do Botafogo FC.
Algo de bom tem em cada uma das teorias desses senhores, e algo que não fecha também. Não sou purista, aliás sou sim. Purista que não existe purismo puro, pirou?
Tem que deixar a economia fluir segundo as suas próprias leis sim. O Estado não deve interferir o mínimo possível no mercado, claro! Mas, como ignorar as necessidades preementes dos miseráveis, sem interferir no mercado? O cara é analfabeto funcional (ou pior), tem lumbriga, os filhos sob a sombra da inanição e você realmente acredita que o mercado vai absorvê-lo naturalmente e uma situação de crescimento? Quando, hoje? Amanhã? Depois de amanhã, o cara tá no desespero da sobrevivência à qualquer custo!
No blog vocês podem ver uma foto do Keynes. Mas, poderiam ver também do Ricardo, Marx, Smith, Schumpeter, Marshall...Todos grandes pensadores, mas como já disse a única camisa que visto é a do Botafogo FC.
Algo de bom tem em cada uma das teorias desses senhores, e algo que não fecha também. Não sou purista, aliás sou sim. Purista que não existe purismo puro, pirou?
Tem que deixar a economia fluir segundo as suas próprias leis sim. O Estado não deve interferir o mínimo possível no mercado, claro! Mas, como ignorar as necessidades preementes dos miseráveis, sem interferir no mercado? O cara é analfabeto funcional (ou pior), tem lumbriga, os filhos sob a sombra da inanição e você realmente acredita que o mercado vai absorvê-lo naturalmente e uma situação de crescimento? Quando, hoje? Amanhã? Depois de amanhã, o cara tá no desespero da sobrevivência à qualquer custo!
17 agosto 2007
SENADO BRASILEIRO - Uma vergonha nacional
A questão da alegada governabilidade não me parece legítima, uma vez que questões macroeconômicas não se fazem sentir no curto prazo. O PIB, os resultados da balança comercial ou a dívida pública, por exemplo, não são construídos no curto prazo. O que responde no curto prazo é o mercado especulativo e esse, pelo menos no volume que importa, é muito mais uma questão de capital internacional do que doméstica. Dessa forma, a discussão que realmente interessa é: Que país é esse? Que país queremos legar aos nossos filhos? Um país de frases pobres de valores e princípios tipo:
o Os fins justificam os meios;
o Rouba mas faz;
o Errado mas todo mundo faz;
o Lei de Gerson (pobre Gerson...).
É preciso, de uma vez por todas, pensarmos o Brasil como uma nação baseada em valores e princípios reais e aderentes ao nosso povo e cultura. E não faremos isso com uma visão míope de curto prazo.
Normas, regras e leis são formas reduzidas de expressar desejos e anseios maiores de uma nação. E para que sejam genuínas e consistentes é preciso que estejam apoiadas em princípios e valores. A nossa Constituição exprime com muita clareza esses princípios em seus primeiros 4 artigos. No Título I “Dos Princípios Fundamentais” o artigo 1º define que a República constitui-se de Estado democrático de direito e fundamenta-se em:
o soberania;
o cidadania;
o dignidade da pessoa humana;
o valores sociais do trabalho e da livre iniciativa;
o pluralismo político.
No artigo 3º define os objetivos fundamentais da República:
o construção de uma sociedade livre, justa e solidária;
o garantia do desenvolvimento nacional;
o erradicação da pobreza e da marginalização e a redução das desigualdades sociais e regionais.
Os tópicos acima estão na primeira página de nossa Constituição e parecem esquecidas e ou desconhecidas de governantes e governados. São questões cruciais e com força de lei. Mas, para que sejam concretizadas é preciso planejamento consistente e firmeza de propósitos. Porém é questão pertinente ao seu sucesso, a capacidade e integridade de seus gestores. Não é possível pensar o longo prazo com foco em questões pontuais. Trata-se de um projeto de construção de uma grande nação. Grande em qualidade de vida, de respeito ao cidadão e acima de tudo baseada em um Estado de Direito.
O caminho que países bem sucedidos escolheram foi o investimento maciço em educação. Mas, como vamos ensinar às gerações futuras sobre cidadania, dignidade ou ainda sobre valores, se pensamos em admitir pequenos pecados em prol da governabilidade?
Não vamos construir uma nação digna para nossos filhos perdendo a referência entre o certo e o errado. Vamos orar à noite com nosso filho e pedir: perdoa-o, pois ele não sabe o que faz? Ou ruim com ele, pior sem ele? É assim que pretendemos construir um país melhor?
Um povo sem indignação perante essa lama é um povo sem esperança e um povo sem esperança é um povo sem futuro. INDIGNA NAÇÃO
A sátira política e a piadinha sobre os absurdos praticados pelos donos do poder têm seu momento mais fértil na ditadura, onde sobre o poder das armas só nos restava a fuga para o jocoso. Não estamos, porém, sob o poder das armas. Estamos sob o poder da impunidade da maior fábrica de pizzas da história. Onde os pizzaiolos vão assando as pizzas, olhando pelas janelas do congresso e avaliando o que pode ser digerido pelo populacho.
É preciso ficar atento, pois os interessados (não no bem-estar da população é claro!), são mestres em desviar o assunto e acusados e acusadores são farinha do mesmo saco em rodízio perpétuo de cadeiras.
Como será que o Seu José, não é o Dirceu, ou a Dona Maria, ali da esquina, vêem o que está se passando? O que será que eles dizem e ensinam aos seus filhos? Estudem sério e trabalhem duro que vocês terão sucesso, ou sejam espertalhões? Estão vendo uma fila de espertalhões que metem a mão no alheio e depois, quando muito, perdem o mandato. Mas, pior ainda, podem renunciar e voltar depois como se nada tivesse acontecido. A memória do povo é curta ou é manobrada?
E a discussão é desviada para a governabilidade. Ora, como podemos encobrir toda essa sem-vergonhice com governabilidade? É tanta crendice que vamos acabar temendo que o céu caia sobre nossas cabeças! Vamos discutir isso também?
Para não perder a viagem vou falar mais uma vez da carga tributária. Diz-se abertamente, aos quatro cantos, que a carga tributária é insustentável. Mas essa, a carga tributária, só aumenta e por isso há informalidade (neologismo de sonegação). É o joguinho do me engana que eu gosto ou do deixa que eu deixo?
E ainda tem revista semanal investindo, há várias edições, em provar que isso também acontecia no governo anterior! É o famoso “todo mundo faz, então...”. Estamos perdendo o prumo com discussões vazias que só interessam aos oportunistas de momento. É redundante e é sério, muito sério!
Perdemos o rumo, não temos objetivos e não há compromissos. A pobreza aumenta, as desigualdades batem recordes e a cidadania é profanada em todos os aspectos possíveis. Governabilidade?
Os Princípios Fundamentais da República são de faz-de-conta?
Então governabilidade para quem cara-pálida?
o Os fins justificam os meios;
o Rouba mas faz;
o Errado mas todo mundo faz;
o Lei de Gerson (pobre Gerson...).
É preciso, de uma vez por todas, pensarmos o Brasil como uma nação baseada em valores e princípios reais e aderentes ao nosso povo e cultura. E não faremos isso com uma visão míope de curto prazo.
Normas, regras e leis são formas reduzidas de expressar desejos e anseios maiores de uma nação. E para que sejam genuínas e consistentes é preciso que estejam apoiadas em princípios e valores. A nossa Constituição exprime com muita clareza esses princípios em seus primeiros 4 artigos. No Título I “Dos Princípios Fundamentais” o artigo 1º define que a República constitui-se de Estado democrático de direito e fundamenta-se em:
o soberania;
o cidadania;
o dignidade da pessoa humana;
o valores sociais do trabalho e da livre iniciativa;
o pluralismo político.
No artigo 3º define os objetivos fundamentais da República:
o construção de uma sociedade livre, justa e solidária;
o garantia do desenvolvimento nacional;
o erradicação da pobreza e da marginalização e a redução das desigualdades sociais e regionais.
Os tópicos acima estão na primeira página de nossa Constituição e parecem esquecidas e ou desconhecidas de governantes e governados. São questões cruciais e com força de lei. Mas, para que sejam concretizadas é preciso planejamento consistente e firmeza de propósitos. Porém é questão pertinente ao seu sucesso, a capacidade e integridade de seus gestores. Não é possível pensar o longo prazo com foco em questões pontuais. Trata-se de um projeto de construção de uma grande nação. Grande em qualidade de vida, de respeito ao cidadão e acima de tudo baseada em um Estado de Direito.
O caminho que países bem sucedidos escolheram foi o investimento maciço em educação. Mas, como vamos ensinar às gerações futuras sobre cidadania, dignidade ou ainda sobre valores, se pensamos em admitir pequenos pecados em prol da governabilidade?
Não vamos construir uma nação digna para nossos filhos perdendo a referência entre o certo e o errado. Vamos orar à noite com nosso filho e pedir: perdoa-o, pois ele não sabe o que faz? Ou ruim com ele, pior sem ele? É assim que pretendemos construir um país melhor?
Um povo sem indignação perante essa lama é um povo sem esperança e um povo sem esperança é um povo sem futuro. INDIGNA NAÇÃO
A sátira política e a piadinha sobre os absurdos praticados pelos donos do poder têm seu momento mais fértil na ditadura, onde sobre o poder das armas só nos restava a fuga para o jocoso. Não estamos, porém, sob o poder das armas. Estamos sob o poder da impunidade da maior fábrica de pizzas da história. Onde os pizzaiolos vão assando as pizzas, olhando pelas janelas do congresso e avaliando o que pode ser digerido pelo populacho.
É preciso ficar atento, pois os interessados (não no bem-estar da população é claro!), são mestres em desviar o assunto e acusados e acusadores são farinha do mesmo saco em rodízio perpétuo de cadeiras.
Como será que o Seu José, não é o Dirceu, ou a Dona Maria, ali da esquina, vêem o que está se passando? O que será que eles dizem e ensinam aos seus filhos? Estudem sério e trabalhem duro que vocês terão sucesso, ou sejam espertalhões? Estão vendo uma fila de espertalhões que metem a mão no alheio e depois, quando muito, perdem o mandato. Mas, pior ainda, podem renunciar e voltar depois como se nada tivesse acontecido. A memória do povo é curta ou é manobrada?
E a discussão é desviada para a governabilidade. Ora, como podemos encobrir toda essa sem-vergonhice com governabilidade? É tanta crendice que vamos acabar temendo que o céu caia sobre nossas cabeças! Vamos discutir isso também?
Para não perder a viagem vou falar mais uma vez da carga tributária. Diz-se abertamente, aos quatro cantos, que a carga tributária é insustentável. Mas essa, a carga tributária, só aumenta e por isso há informalidade (neologismo de sonegação). É o joguinho do me engana que eu gosto ou do deixa que eu deixo?
E ainda tem revista semanal investindo, há várias edições, em provar que isso também acontecia no governo anterior! É o famoso “todo mundo faz, então...”. Estamos perdendo o prumo com discussões vazias que só interessam aos oportunistas de momento. É redundante e é sério, muito sério!
Perdemos o rumo, não temos objetivos e não há compromissos. A pobreza aumenta, as desigualdades batem recordes e a cidadania é profanada em todos os aspectos possíveis. Governabilidade?
Os Princípios Fundamentais da República são de faz-de-conta?
Então governabilidade para quem cara-pálida?
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