Algum tempo atrás, mais precisamente no Dia Mundial do Meio Ambiente, 05 de maio, li matérias em vários jornais locais, nacionais e internacionais. Assisti ainda, a alguns bons documentários, e terminei o dia pensando de que forma toda essa informação poderia ajudar o cidadão comum a entender melhor o que realmente está acontecendo. De que forma as mudanças no meio ambiente afetam sua vida e de que forma sua vida afeta o meio ambiente. Afinal, nos deparamos com duas visões diametralmente opostas em relação ao meio ambiente. A primeira, mais recorrente, dá um prognóstico tão cataclísmico que nos induz, por absoluta necessidade de evitar o pânico e o desespero, a ignorá-la e naturalmente optar pela outra visão. A segunda, procura amenizar um pouco a situação atual e ainda oferece a benesse de que a tecnologia vai resolver todos os problemas. Infelizmente, no mundo moderno onde você acaba conhecendo um pouco de tudo, sem conhecer realmente nada de verdade – um generalista – , as abordagens são simplistas e tendem a evidenciar apenas os dois extremos de uma mesma idéia. Ou seja, ou é preto ou é branco. Nuances de cinza são peremptoriamente ignoradas.
Não exito um instante sequer em afirmar que a questão ambiental é o assunto mais complexo e de maior importância que a humanidade já se defrontou. Ele afeta à todas as áreas da existência humana e portanto demanda conhecimento holístico e sistêmico. Imagine conseguir consenso sobre um tema vital à nossa existência reunindo numa mesma mesa de negociação advogados, engenheiros, economistas, administradores, médicos, biólogos, zoólogos, botânicos, políticos, brasileiros, argentinos, chineses, líbios, franceses, canadenses, patrões, empregados etc. São milhões de visões diferentes, com interesses diferentes (muitas vezes divergentes) e com graus de motivação diferentes. Dá para imaginar a discussão?
A questão ambiental começou a ser discutida publicamente quando grupos isolados de ecologistas apareceram na mídia defendendo animais em extinção, matas e rios aqui e ali. Eram idealistas e românticos que colocavam sua própria integridade física em risco, mas conseguiam angariar simpatia e apoio por onde passassem. Esses grupos se organizaram, cresceram e acabaram atingindo proporções econômicas, em alguns casos, respeitáveis.
O homem, e sua volúpia de desejos incontroláveis, eram os grandes vilões que faziam o que fosse preciso para conseguir o que queriam, extinguindo espécies e destruindo tudo a sua volta, sem um pingo de remorso.
Essa idéia, apoiada pela máxima de crescer a qualquer custo, tinha como seu oposto a visão, então vigente, de que era mais importante a preservação de determinado rio e seu eco-sistema, do que a sobrevivência das populações ribeirinhas. O mundo seria lindo, limpo e sem o homem para destruí-lo. Poderíamos, segundo essa turma, morar na lua e admirar à distância a beleza da terra.
Mas foi preciso que o idealismo e até mesmo o romantismo desses pioneiros da questão ambiental, plantasse a semente do que hoje é uma das questões mais complexas da humanidade e que afeta sua própria existência.
O homem não é estranho ao meio ambiente, ele é parte do mesmo. A questão ambiental não deve ser encarada como uma restrição à atividade econômica e sim como um componente de continuidade dessa atividade - de sustentabilidade de nossa civilização. Afinal, em ambiente em processo de degradação a atividade econômica é efetivamente refreada. A sustentabilidade ambiental é por conseguinte a própria sustentabilidade da atividade econômica.
A terra está em processo de aquecimento, as geleiras derretendo, o nível do mar subindo, o ar e a água a cada dia mais poluídos, as florestas estão sendo devastadas, as matas queimadas etc. Como tudo isso está acontecendo e como estou contribuindo para esse aparente apocalipse? A resposta para essa pergunta é simples e perturbadora. Simples porque não exige nenhuma qualificação especial para entender e perturbadora porque ela está inserida na essência do nosso modelo de produção e por conseguinte de existência. O consumo, que mantém toda a engrenagem do modelo capitalista funcionando é a origem da degradação ambiental. Quanto mais você consome, não importa o quê, mais é retirado (do estado limpo) e mais é despejado (em estado poluente) no meio ambiente. Para onde foi o último pneu que você trocou, e as baterias do seu celular? Você já visitou um aterro sanitário, um lixão? Devia.
Todos sabemos que a melhor prática de manutenção, tanto em nossas casa quanto em nosso escritórios, é o de que: “se não sujarmos, não precisamos limpar”. Certa ocasião, fiz uma reunião com os funcionários da empresa onde trabalhava , era uma grande loja de departamentos (a maior da época), e ao falarmos de salários e comissões expliquei que o bolo salarial era um só e que a necessidade de pessoas catando lixo pela empresa que os próprios empregados jogavam em lugares inadequados, ou mesmo de fiscais para vigiar atos indevidos, corroíam as possibilidades de melhores ganhos para todos. Atitudes responsáveis beneficiam a comunidade como um todo. Sistemas burocráticos, têm como objetivo evitar ou dificultar falhas/fraudes nos processos de uma maneira geral. Isso é desperdício, isso é consumo desnecessário. E pode ser combatido com mudanças de atitudes. Nossa sociedade tem que dar um basta na “lei do morro” - não ví nada, não sei de nada, não me envolvam. Você ensina seus filhos a “se dar bem” ou a “ser do bem”?
O homem é cheio de surpresas e agora busca os biodegradáveis, a coleta seletiva de lixo, a reciclagem, re-uso e usos inteligentes. Cria leis ambientais e projetos de educação ambiental. O que você faz quando vê uma mensagem no hotel pedindo para você economizar a água? Eu hein! Estou pagando e ainda tenho que me preocupar em economizar água para esses caras? Você lava calçada com a mangueira jorrando água para todo lado? Ou escovas os dentes com a torneira aberta? Não podemos simplesmente parar de consumir. Mas, o desperdício no Brasil ainda é um problema de origem cultural com efeitos nefastos em nosso bem-estar. Em nosso cotidiano, sem perceber, estamos desperdiçando o que poderia fazer a diferença em um futuro próximo. Simples mudanças de hábitos, são atitudes que podemos tomar imediatamente sem comprometer nosso estilo de vida. Não precisamos ficar esperando por programas mirabolantes do governo ou de quem quer que seja, para começarmos a mudar o ambiente em que nossos filhos vão viver. Lembrem-se que a água já foi um bem gratuito.
19 julho 2007
19 junho 2007
Gestão de Curto Prazo - Miopia Tupiniquim
Quando falamos em gestão de grandes negócios estamos falando de organização, planejamento e controle de uma infinidade de atividades que interagem de forma complexa e sistêmica. É por definição, um processo de longo prazo. Para tal, não podemos ignorar a questão estratégica que determinará as metas e os objetivos básicos do empreendimento e a conseqüente adoção de cursos de ação e de alocação dos recursos necessários para realizá-las.
O empreendedor de sucesso determinará suas metas, de acordo com sua capacidade empresarial. Avaliando recursos disponíveis, capacidade de alavancagem e cenários possíveis. Dessa forma, o longo prazo e as principais políticas envolvidas determinarão as questões relevantes que o empreendimento enfrentará. Suas decisões deverão espelhar um comportamento consistente em toda a organização. Sabemos que uma vez estabelecida, a estratégia não é facilmente revertida. Pois um plano estratégico coerente molda a persona competitiva da empresa.
De maneira geral a análise estratégica pode ser abordada de várias formas:
• Sob a perspectiva da teoria dos jogos matemáticos, onde buscamos descobrir a lógica das escolhas dos vários jogadores (players);
• Sob a perspectiva psicológica, focalizando as motivações e os comportamentos dos indivíduos tomadores de decisão;
• Ou ainda sob a perspectiva organizacional, da ciência política ou mesmo da antropologia.
Todavia, é fato afirmarmos que o conhecimento aprofundado da disciplina, nos permite formular hipóteses refinadas e poderosas para o desenvolvimento de estratégias eficazes.
A ciência econômica possibilita que o analista seja explícito sobre os elementos-chave do processo considerado. Modelos Econômicos têm sido eficazes ao identificar com cuidado acurado questões relevantes ao planejamento estratégico:
1. Quem são os jogadores que efetivamente ditam as regras?
2. Que decisões são “fixadas” na situação em questão?
3. O que os tomadores de decisões estão buscando? Maximizar lucros ou firmar posições?
4. Quais as ações que estão sendo consideradas e quais suas variáveis estratégicas?
5. Qual o horizonte de tempo a ser considerado?
6. Que mecanismo é utilizado para traduzir decisões específicas em resultados específicos?
Mas, o que acontece quando analisamos a gestão pública em geral? Levamos em conta os mesmo princípios de gestão empresarial? Podemos considerar a gestão pública como um empreendimento? Claro que sim! Na verdade, a gestão pública é um empreendimento de escala nacional características específicas da coisa pública. Podemos simplificar da seguinte forma: O empreendimento privado tem como objetivo o lucro e o empreendimento público tem como objetivo o bem-estar social. No mais, estamos falando de eficiência!
Tenho certeza que você já deve estar imaginando como isso acontece na Empresa Brasil.
Imagine o Presidente da República como semelhante ao presidente de uma grande empresa. Como esse último que sofre pressão dos acionistas cobrando resultados. O Presidente da República sofre pressão do povo, dos eleitores em última instância. Seus ministros são como diretores executivos especializados em suas áreas de atuação e os funcionários públicos são os gerentes e os braços dessa organização de dimensões gigantescas. O Congresso é o Conselho de Administração que representa na empresa privada, os interesses dos acionistas.
Ih, será que isso funciona? Tem que funcionar, pois é esse o modelo que escolhemos pelo voto e que está estabelecido na Constituição.
Por isso é tão importante essa discussão que não está tomando a importância devida sobre o tempo de mandato e da reeleição. Como vimos anteriormente, planejamento é coisa de longo prazo e de continuidade. Ou seja, qualquer planejamento sério deve ter coerência entre prazo (que tem que ser longo) e continuidade para ser minimamente sustentável.
E o que vemos proposto no Congresso? Uma proposta para acabar com a possibilidade da reeleição! A explicação que dão para essa proposta é no mínimo curiosa. Dizem que os candidatos da situação levam vantagem sobre os demais candidatos. E daí? Se isso for mesmo verdade (há controvérsias), vamos criar um problema para resolver outro? Se, eu como eleitor, quiser (hipoteticamente) dar meu voto em favor da situação é porque acredito que é o melhor e pronto! O que tem de errado nisso? Vamos dar fim a um processo de gestão com um projeto interessante, para que a eleição seja competitiva? Nós sabemos que a primeira coisa que um novo ocupante de cargo político faz é dizer que tudo que o seu antecessor fez foi uma droga e que ele vai mudar tudo. Só aí, para desfazer, já vai um ano e muito dinheiro público (nosso) jogado fora.
Então qual a solução? Em primeiro lugar vamos separar os funcionários públicos de carreira dos políticos que ocupam cargos na gestão pública. Em segundo lugar vamos ampliar, aprofundar e acelerar a estruturação organizacional dos processos de gestão pública. A Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), Planejamento Plurianual (PPA) e a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) são embriões fundamentais à blindagem da coisa pública aos desvios de interesseiros e oportunistas de plantão. Dessa forma, a proposta em votação, sem a contrapartida de mecanismos de gestão e controle que tornem projetos de longo prazo blindados às vocações políticas de momento, é um retrocesso na gestão pública brasileira.
Gestão pública é uma questão de escolha – o que fazer com os escassos recursos disponíveis? Uma ponte ou um hospital? Estradas ou ferrovias?
A máquina governamental deve ser eficiente na execução de suas atividades e o poder executivo deve ser criterioso nas escolhas a serem feitas. Planejamento criterioso deve ser feito para dar início e prosseguimento a projetos de interesse nacional e estes não podem estar sujeitos a humores de ocasião. A implementação desses projetos vai demandar um corpo de funcionários públicos competentes e comprometidos de forma independente de posicionamentos políticos individuais.
Vemos então, que tecnicamente (e na falta de instrumentos administrativos eficientes e amplamente implantados) é desejável um mandato mais longo e com possibilidade de reeleição. Justamente o contrário do que está sendo proposto no Congresso nesse momento. Mas, quem está discutindo isso?
O empreendedor de sucesso determinará suas metas, de acordo com sua capacidade empresarial. Avaliando recursos disponíveis, capacidade de alavancagem e cenários possíveis. Dessa forma, o longo prazo e as principais políticas envolvidas determinarão as questões relevantes que o empreendimento enfrentará. Suas decisões deverão espelhar um comportamento consistente em toda a organização. Sabemos que uma vez estabelecida, a estratégia não é facilmente revertida. Pois um plano estratégico coerente molda a persona competitiva da empresa.
De maneira geral a análise estratégica pode ser abordada de várias formas:
• Sob a perspectiva da teoria dos jogos matemáticos, onde buscamos descobrir a lógica das escolhas dos vários jogadores (players);
• Sob a perspectiva psicológica, focalizando as motivações e os comportamentos dos indivíduos tomadores de decisão;
• Ou ainda sob a perspectiva organizacional, da ciência política ou mesmo da antropologia.
Todavia, é fato afirmarmos que o conhecimento aprofundado da disciplina, nos permite formular hipóteses refinadas e poderosas para o desenvolvimento de estratégias eficazes.
A ciência econômica possibilita que o analista seja explícito sobre os elementos-chave do processo considerado. Modelos Econômicos têm sido eficazes ao identificar com cuidado acurado questões relevantes ao planejamento estratégico:
1. Quem são os jogadores que efetivamente ditam as regras?
2. Que decisões são “fixadas” na situação em questão?
3. O que os tomadores de decisões estão buscando? Maximizar lucros ou firmar posições?
4. Quais as ações que estão sendo consideradas e quais suas variáveis estratégicas?
5. Qual o horizonte de tempo a ser considerado?
6. Que mecanismo é utilizado para traduzir decisões específicas em resultados específicos?
Mas, o que acontece quando analisamos a gestão pública em geral? Levamos em conta os mesmo princípios de gestão empresarial? Podemos considerar a gestão pública como um empreendimento? Claro que sim! Na verdade, a gestão pública é um empreendimento de escala nacional características específicas da coisa pública. Podemos simplificar da seguinte forma: O empreendimento privado tem como objetivo o lucro e o empreendimento público tem como objetivo o bem-estar social. No mais, estamos falando de eficiência!
Tenho certeza que você já deve estar imaginando como isso acontece na Empresa Brasil.
Imagine o Presidente da República como semelhante ao presidente de uma grande empresa. Como esse último que sofre pressão dos acionistas cobrando resultados. O Presidente da República sofre pressão do povo, dos eleitores em última instância. Seus ministros são como diretores executivos especializados em suas áreas de atuação e os funcionários públicos são os gerentes e os braços dessa organização de dimensões gigantescas. O Congresso é o Conselho de Administração que representa na empresa privada, os interesses dos acionistas.
Ih, será que isso funciona? Tem que funcionar, pois é esse o modelo que escolhemos pelo voto e que está estabelecido na Constituição.
Por isso é tão importante essa discussão que não está tomando a importância devida sobre o tempo de mandato e da reeleição. Como vimos anteriormente, planejamento é coisa de longo prazo e de continuidade. Ou seja, qualquer planejamento sério deve ter coerência entre prazo (que tem que ser longo) e continuidade para ser minimamente sustentável.
E o que vemos proposto no Congresso? Uma proposta para acabar com a possibilidade da reeleição! A explicação que dão para essa proposta é no mínimo curiosa. Dizem que os candidatos da situação levam vantagem sobre os demais candidatos. E daí? Se isso for mesmo verdade (há controvérsias), vamos criar um problema para resolver outro? Se, eu como eleitor, quiser (hipoteticamente) dar meu voto em favor da situação é porque acredito que é o melhor e pronto! O que tem de errado nisso? Vamos dar fim a um processo de gestão com um projeto interessante, para que a eleição seja competitiva? Nós sabemos que a primeira coisa que um novo ocupante de cargo político faz é dizer que tudo que o seu antecessor fez foi uma droga e que ele vai mudar tudo. Só aí, para desfazer, já vai um ano e muito dinheiro público (nosso) jogado fora.
Então qual a solução? Em primeiro lugar vamos separar os funcionários públicos de carreira dos políticos que ocupam cargos na gestão pública. Em segundo lugar vamos ampliar, aprofundar e acelerar a estruturação organizacional dos processos de gestão pública. A Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), Planejamento Plurianual (PPA) e a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) são embriões fundamentais à blindagem da coisa pública aos desvios de interesseiros e oportunistas de plantão. Dessa forma, a proposta em votação, sem a contrapartida de mecanismos de gestão e controle que tornem projetos de longo prazo blindados às vocações políticas de momento, é um retrocesso na gestão pública brasileira.
Gestão pública é uma questão de escolha – o que fazer com os escassos recursos disponíveis? Uma ponte ou um hospital? Estradas ou ferrovias?
A máquina governamental deve ser eficiente na execução de suas atividades e o poder executivo deve ser criterioso nas escolhas a serem feitas. Planejamento criterioso deve ser feito para dar início e prosseguimento a projetos de interesse nacional e estes não podem estar sujeitos a humores de ocasião. A implementação desses projetos vai demandar um corpo de funcionários públicos competentes e comprometidos de forma independente de posicionamentos políticos individuais.
Vemos então, que tecnicamente (e na falta de instrumentos administrativos eficientes e amplamente implantados) é desejável um mandato mais longo e com possibilidade de reeleição. Justamente o contrário do que está sendo proposto no Congresso nesse momento. Mas, quem está discutindo isso?
19 maio 2007
JABOTI NÃO SOBE EM ÁRVORE
A menor taxa de câmbio dos últimos 5 anos é um sinal de que as coisas vão bem ou é mais um motivo de preocupação? Em primeiro lugar devemos entender o que é taxa de câmbio. Em uma sociedade moderna, todos os bens e serviços têm um preço. Ou seja, podemos comprar e comparar bens e serviços pelo seu valor monetário. Assim também é o dinheiro, que podemos dizer que tem como expressão do seu valor os juros, e as moedas estrangeiras que são comparadas ou trocadas pela taxa de câmbio (no Brasil expressa em dólares).
O Brasil já passou pelo regime de taxa fixa e pelo regime de bandas, no qual o Banco Central intervêm cada vez que o câmbio ultrapassava limites pré-estabelecidos de máximos e mínimos. Atualmente no Brasil prevalece o regime que chamamos de dirty floating - sistema híbrido no qual o câmbio é livre, porém, o BC intervêm buscando manter níveis que ele considera apropriados ao momentum econômico. Esses patamares são evidentemente camuflados pelas autoridades monetárias com o intuito de dificultar a especulação. Imagine quanto vale a informação de que o dólar está em determinado nível, que esse nível está abaixo do patamar considerado apropriado e que, por conseguinte ele vai entrar no mercado comprando um volume expressivo de moeda! Ora, não é difícil perceber que o valor do dólar vai subir e quem antecipar esse movimento de compra do BC, comprando na baixa (antes da compra do BC) vai ganhar dinheiro vendendo na alta (depois da compra do BC). Na verdade isso não é muito estranho aos iniciados na especulação desse mercado. Costuma-se inclusive, acompanhar as datas de pagamentos da dívida externa, que naturalmente representam demanda por dólar e que conforme o nível de estoque de divisas pode indicar um movimento de compra do BC.
Então por que o dólar continua caindo? Como um animal selvagem o capital busca alimento fácil e o capital internacional tem encontrado esse alimento fácil na taxa de juros brasileira. Com a atraente taxa de juros, em contrapartida às baixas taxas de juros internacionais, o pior do capital internacional – o capital especulativo – aporta em águas nacionais e aumenta a oferta de dólares no mercado. Com o aumento da oferta de dólares, seu preço – a taxa de câmbio – cai. Aliado à grande oferta de dólares na economia, a falta de um controle específico de capital (entra e sai com facilidade) e a estabilidade econômica nacional, acrescente ainda a isso, a proposta de isenção de imposto para o investimento externo da MP 281.
Parece que o atual governo fez uma opção pela manutenção de altos níveis de estoques de capital especulativo. Esse animal selvagem e nada altruísta que avança faminto atrás das facilidades que estranhamente oferecemos, é agora incentivado com uma renúncia fiscal exclusiva a estrangeiros. Somente uma visão míope de curto prazo (um mandato?) poderia buscar incentivar o capital especulativo em detrimento a qualquer outro estímulo ao capital construtivo. Não nos importa o emprego? Não nos importa o crescimento e o desenvolvimento? O que justifica o Estado senão o bem-estar comum, o bem-estar do povo? E o caminho para o bem-estar não é o crescimento e o desenvolvimento, que geram emprego e prosperidade? Os bancos batem recordes atrás de recordes de faturamento e rentabilidade, recordes mundiais! Os bancos que cada vez mais automatizados e informatizados, desculpem a redundância, geram cada vez menos empregos para o brasileiro desqualificado (pela mais absoluta falta de acesso à educação de qualidade). Você consegue imaginar aumentar seus lucros em mais de 40% de um ano para o outro? Pois é, os bancos estão realizando essa "façanha". Sistematicamente. Estamos promovendo a maior transferência de riqueza da história nacional. Estamos na contra mão das nações desenvolvidas, desviando riqueza do setor produtivo para o setor especulativo. O que faria um empreendedor de bom senso investir tempo e dinheiro no setor produtivo? Com todos os entraves burocráticos, tributários e trabalhistas que o poder público impõe, sua margem de lucro é ínfima e o risco altíssimo! Na especulação financeira é incentivado por isenções de impostos, facilidades burocráticas, inexistência de obrigações trabalhistas e margens fantásticas originadas de taxas de juros plutanianas. Sinto dizer que o empresário do setor produtivo, diante desse cenário, é um insensato.
Poeira não é fumaça, jaboti não sobe em árvore e eu não acredito em Saçi Pererê. Mas, com uma taxa de juros venusiana (ué, não era plutaniana? Bom, é de outro mundo do mesmo jeito!), uma carga tributária tão ignóbil quanto o mensalão e uma taxa de câmbio tão desanimadora quanto a "Pizzaria do Planalto", não dá para dizer que estamos planejando a construção de um modelo de desenvolvimento sócio-econômico. Estamos alimentando o pior do capitalismo, sua vertente selvagem. E matando o seu melhor, que é ser o modelo de produção mais eficiente jamais visto na história da civilização.
Nesse modelo especulativo, não há lugar para a fraternidade ou compaixão. Como ignorar 40 milhões de miseráveis, sem qualquer esperança de uma única oportunidade espontânea do mercado? O modelo anglo-saxão de livre mercado é próprio para países que não conhecem a miséria e a desesperança. Não podemos simplesmente importar um modelo de sucesso no hemisfério norte e ficar sentado esperando que as coisas aconteçam no longo prazo. Já dizia Keynes que no longo prazo estaremos todos mortos. Ensinar a pescar, é certamente mais eficiente do que dar o peixe. Mas, é preciso que ele suporte a fome do "período de aprendizagem", não é verdade? Então, temos que ter um programa de governo que ensine a pescar e dê o peixe ao mesmo tempo. Devemos criar um modelo de educação integrada e inclusiva e acima de tudo assistir as necessidades básicas e imediatas dessa gente brasileira. Se você acha que a lei da selva é a mais apropriada, ou é venusiano ou não é cristão! Vivemos em um país pródigo em diversidades, o que poderia até ser bom não fossemos também um país pródigo em concentração de riqueza e poder.
Não dá mais para esperar o bolo crescer primeiro para dividir depois. Temos que partilhar, contribuir e participar. Mas, só podemos fazer isso com um plano decente de governo e não com políticas assistencialistas e eleitoreiras.
Finalizando, eu não diria que o câmbio baixo é conseqüência ou sinal de que algo não vai bem. É pior que isso! É pura ineficiência de gestão macroeconômica. Vivemos em um país em que os juros altos incentivam a especulação, a carga tributária incentiva à informalidade e o câmbio incentiva o produto importado. Estamos colocando azeitonas na empada do vizinho. Estamos incentivando o emprego do gringo.
Bons tempos aqueles em que o problema nacional era a saúva, porque hoje ou acabamos com a miséria ou a miséria acaba conosco! É hora de indignação e de ação. Mãos à obra!
O Brasil já passou pelo regime de taxa fixa e pelo regime de bandas, no qual o Banco Central intervêm cada vez que o câmbio ultrapassava limites pré-estabelecidos de máximos e mínimos. Atualmente no Brasil prevalece o regime que chamamos de dirty floating - sistema híbrido no qual o câmbio é livre, porém, o BC intervêm buscando manter níveis que ele considera apropriados ao momentum econômico. Esses patamares são evidentemente camuflados pelas autoridades monetárias com o intuito de dificultar a especulação. Imagine quanto vale a informação de que o dólar está em determinado nível, que esse nível está abaixo do patamar considerado apropriado e que, por conseguinte ele vai entrar no mercado comprando um volume expressivo de moeda! Ora, não é difícil perceber que o valor do dólar vai subir e quem antecipar esse movimento de compra do BC, comprando na baixa (antes da compra do BC) vai ganhar dinheiro vendendo na alta (depois da compra do BC). Na verdade isso não é muito estranho aos iniciados na especulação desse mercado. Costuma-se inclusive, acompanhar as datas de pagamentos da dívida externa, que naturalmente representam demanda por dólar e que conforme o nível de estoque de divisas pode indicar um movimento de compra do BC.
Então por que o dólar continua caindo? Como um animal selvagem o capital busca alimento fácil e o capital internacional tem encontrado esse alimento fácil na taxa de juros brasileira. Com a atraente taxa de juros, em contrapartida às baixas taxas de juros internacionais, o pior do capital internacional – o capital especulativo – aporta em águas nacionais e aumenta a oferta de dólares no mercado. Com o aumento da oferta de dólares, seu preço – a taxa de câmbio – cai. Aliado à grande oferta de dólares na economia, a falta de um controle específico de capital (entra e sai com facilidade) e a estabilidade econômica nacional, acrescente ainda a isso, a proposta de isenção de imposto para o investimento externo da MP 281.
Parece que o atual governo fez uma opção pela manutenção de altos níveis de estoques de capital especulativo. Esse animal selvagem e nada altruísta que avança faminto atrás das facilidades que estranhamente oferecemos, é agora incentivado com uma renúncia fiscal exclusiva a estrangeiros. Somente uma visão míope de curto prazo (um mandato?) poderia buscar incentivar o capital especulativo em detrimento a qualquer outro estímulo ao capital construtivo. Não nos importa o emprego? Não nos importa o crescimento e o desenvolvimento? O que justifica o Estado senão o bem-estar comum, o bem-estar do povo? E o caminho para o bem-estar não é o crescimento e o desenvolvimento, que geram emprego e prosperidade? Os bancos batem recordes atrás de recordes de faturamento e rentabilidade, recordes mundiais! Os bancos que cada vez mais automatizados e informatizados, desculpem a redundância, geram cada vez menos empregos para o brasileiro desqualificado (pela mais absoluta falta de acesso à educação de qualidade). Você consegue imaginar aumentar seus lucros em mais de 40% de um ano para o outro? Pois é, os bancos estão realizando essa "façanha". Sistematicamente. Estamos promovendo a maior transferência de riqueza da história nacional. Estamos na contra mão das nações desenvolvidas, desviando riqueza do setor produtivo para o setor especulativo. O que faria um empreendedor de bom senso investir tempo e dinheiro no setor produtivo? Com todos os entraves burocráticos, tributários e trabalhistas que o poder público impõe, sua margem de lucro é ínfima e o risco altíssimo! Na especulação financeira é incentivado por isenções de impostos, facilidades burocráticas, inexistência de obrigações trabalhistas e margens fantásticas originadas de taxas de juros plutanianas. Sinto dizer que o empresário do setor produtivo, diante desse cenário, é um insensato.
Poeira não é fumaça, jaboti não sobe em árvore e eu não acredito em Saçi Pererê. Mas, com uma taxa de juros venusiana (ué, não era plutaniana? Bom, é de outro mundo do mesmo jeito!), uma carga tributária tão ignóbil quanto o mensalão e uma taxa de câmbio tão desanimadora quanto a "Pizzaria do Planalto", não dá para dizer que estamos planejando a construção de um modelo de desenvolvimento sócio-econômico. Estamos alimentando o pior do capitalismo, sua vertente selvagem. E matando o seu melhor, que é ser o modelo de produção mais eficiente jamais visto na história da civilização.
Nesse modelo especulativo, não há lugar para a fraternidade ou compaixão. Como ignorar 40 milhões de miseráveis, sem qualquer esperança de uma única oportunidade espontânea do mercado? O modelo anglo-saxão de livre mercado é próprio para países que não conhecem a miséria e a desesperança. Não podemos simplesmente importar um modelo de sucesso no hemisfério norte e ficar sentado esperando que as coisas aconteçam no longo prazo. Já dizia Keynes que no longo prazo estaremos todos mortos. Ensinar a pescar, é certamente mais eficiente do que dar o peixe. Mas, é preciso que ele suporte a fome do "período de aprendizagem", não é verdade? Então, temos que ter um programa de governo que ensine a pescar e dê o peixe ao mesmo tempo. Devemos criar um modelo de educação integrada e inclusiva e acima de tudo assistir as necessidades básicas e imediatas dessa gente brasileira. Se você acha que a lei da selva é a mais apropriada, ou é venusiano ou não é cristão! Vivemos em um país pródigo em diversidades, o que poderia até ser bom não fossemos também um país pródigo em concentração de riqueza e poder.
Não dá mais para esperar o bolo crescer primeiro para dividir depois. Temos que partilhar, contribuir e participar. Mas, só podemos fazer isso com um plano decente de governo e não com políticas assistencialistas e eleitoreiras.
Finalizando, eu não diria que o câmbio baixo é conseqüência ou sinal de que algo não vai bem. É pior que isso! É pura ineficiência de gestão macroeconômica. Vivemos em um país em que os juros altos incentivam a especulação, a carga tributária incentiva à informalidade e o câmbio incentiva o produto importado. Estamos colocando azeitonas na empada do vizinho. Estamos incentivando o emprego do gringo.
Bons tempos aqueles em que o problema nacional era a saúva, porque hoje ou acabamos com a miséria ou a miséria acaba conosco! É hora de indignação e de ação. Mãos à obra!
19 setembro 2006
Eu não acredito no Lobo Mau
O Conselho de Política Monetária – COPOM – continua míope em sua abordagem ao atrelar a questão dos juros indecentes ao controle da inflação. Digo míope porque não parece preocupado com os efeitos colaterais desse já amargo remédio. O míope não enxerga longe, ou pelo menos com clareza. E assim também é a visão desses senhores. Muito embora haja consenso entre os economistas, e acreditem isso não é fácil, de que existe uma relação direta entre crescimento e inflação (pelo menos em economias oligopolizadas como a brasileira). Não existe o mesmo consenso sobre o quanto de inflação é desejável, uma vez que ela é companheira fiel do crescimento. O que seria, é verdade, uma teoria administrativa de inflação.
Temos que retornar aos bancos escolares e lembrar que essa inflação atrelada ao crescimento é resultado da incapacidade da oferta atender ao crescimento da demanda. Em outras palavras, o aumento dos preços ocorre porque há maior procura do que oferta de bens e serviços. E isso se dá por que a capacidade instalada já está em pleno emprego. Ou seja, somente novos investimentos em capacidade produtiva poderiam aumentá-la, e isso não acontece instantaneamente.
Vejam que temos uma situação curiosa. O COPOM mantém os juros altos, para reter a demanda (inflação), os juros altos atraem o capital para o investimento especulativo e não para o investimento produtivo (que aumentaria a capacidade de produção). Paralelamente temos uma queda na Rentabilidade Industrial de 13,9% para 10% em relação ao Patrimônio Líquido (junho-05/junho-06 sem Petrobrás). O Emprego Industrial Formal permanece em queda de 0,5% e a Produtividade Industrial já apresenta perda de fôlego, dando sinais de dificuldade para qualquer proposta de crescimento no curto prazo.
A Taxa Real de Investimento Fixo que aponta para um patamar estacionário de 17,6% do PIB é a pior das últimas seis décadas e pode ser explicada pelo preço relativo do investimento fixo que vem crescendo desde 1999.
O país precisa crescer, a população está crescendo. Uma situação de crescimento econômico menor do que crescimento populacional pode resultar em distribuição de pobreza.
Estamos promovendo a maior transferência de recursos do setor produtivo para o setor especulativo da face da terra! Os bancos agradecem.
Também não é possível entender a opção de manutenção de gastos governamentais em níveis sem precedentes, em detrimento do crescimento nacional às custas da demanda privada. O gasto governamental é um poderoso agente de demanda. Ou melhor, o governo é responsável pela maior parte da demanda que o COPOM diz querer refrear. Mesmo se aceitássemos a idéia extrema de que deveríamos levantar um totem à moeda estável (sem inflação), teríamos ainda assim o discernimento de que nos é possível viver em regime de instabilidade monetária (inflação) e emprego, mas não com estabilidade monetária e desemprego. Assim, o cerne da questão é o emprego e esse é função direta da produção. Se a demanda por emprego cresce juntamente com a entrada de jovens no mercado de trabalho, então o crescimento é uma questão fundamental para um país com as características de crescimento demográfico do Brasil.
Por outro lado, quando não encontramos explicações técnicas para um fato, que não sejam motivações políticas, devemos perguntar a quem interessa o status quo.
Na verdade, quase tudo é explicável, mas nem tudo é justificável. “Os juros estão altos, para segurar a inflação”. Parece uma boa explicação, mas não é justificável. Especialistas do mercado financeiro explicando na TV o porquê das altas taxas de juros, me parece a mesma coisa que o Lobo Mau explicando para o Chapeuzinho Vermelho porque ela deve ir visitar a vovozinha pela floresta. Na verdade, o COPOM foi capturado (termo técnico que significa que o órgão regulador não é mais capaz de regular o mercado e sim o contrário) pelo medo de passar ao mercado qualquer tipo de informação que sinalize mudança de rumo. Importa mais, o cliente principal – o mercado financeiro – que o cliente secundário – o país. Fomos escravizados pelo mercado financeiro, e seus feitores estão infiltrados onde lhes interessa.
Temos que retornar aos bancos escolares e lembrar que essa inflação atrelada ao crescimento é resultado da incapacidade da oferta atender ao crescimento da demanda. Em outras palavras, o aumento dos preços ocorre porque há maior procura do que oferta de bens e serviços. E isso se dá por que a capacidade instalada já está em pleno emprego. Ou seja, somente novos investimentos em capacidade produtiva poderiam aumentá-la, e isso não acontece instantaneamente.
Vejam que temos uma situação curiosa. O COPOM mantém os juros altos, para reter a demanda (inflação), os juros altos atraem o capital para o investimento especulativo e não para o investimento produtivo (que aumentaria a capacidade de produção). Paralelamente temos uma queda na Rentabilidade Industrial de 13,9% para 10% em relação ao Patrimônio Líquido (junho-05/junho-06 sem Petrobrás). O Emprego Industrial Formal permanece em queda de 0,5% e a Produtividade Industrial já apresenta perda de fôlego, dando sinais de dificuldade para qualquer proposta de crescimento no curto prazo.
A Taxa Real de Investimento Fixo que aponta para um patamar estacionário de 17,6% do PIB é a pior das últimas seis décadas e pode ser explicada pelo preço relativo do investimento fixo que vem crescendo desde 1999.
O país precisa crescer, a população está crescendo. Uma situação de crescimento econômico menor do que crescimento populacional pode resultar em distribuição de pobreza.
Estamos promovendo a maior transferência de recursos do setor produtivo para o setor especulativo da face da terra! Os bancos agradecem.
Também não é possível entender a opção de manutenção de gastos governamentais em níveis sem precedentes, em detrimento do crescimento nacional às custas da demanda privada. O gasto governamental é um poderoso agente de demanda. Ou melhor, o governo é responsável pela maior parte da demanda que o COPOM diz querer refrear. Mesmo se aceitássemos a idéia extrema de que deveríamos levantar um totem à moeda estável (sem inflação), teríamos ainda assim o discernimento de que nos é possível viver em regime de instabilidade monetária (inflação) e emprego, mas não com estabilidade monetária e desemprego. Assim, o cerne da questão é o emprego e esse é função direta da produção. Se a demanda por emprego cresce juntamente com a entrada de jovens no mercado de trabalho, então o crescimento é uma questão fundamental para um país com as características de crescimento demográfico do Brasil.
Por outro lado, quando não encontramos explicações técnicas para um fato, que não sejam motivações políticas, devemos perguntar a quem interessa o status quo.
Na verdade, quase tudo é explicável, mas nem tudo é justificável. “Os juros estão altos, para segurar a inflação”. Parece uma boa explicação, mas não é justificável. Especialistas do mercado financeiro explicando na TV o porquê das altas taxas de juros, me parece a mesma coisa que o Lobo Mau explicando para o Chapeuzinho Vermelho porque ela deve ir visitar a vovozinha pela floresta. Na verdade, o COPOM foi capturado (termo técnico que significa que o órgão regulador não é mais capaz de regular o mercado e sim o contrário) pelo medo de passar ao mercado qualquer tipo de informação que sinalize mudança de rumo. Importa mais, o cliente principal – o mercado financeiro – que o cliente secundário – o país. Fomos escravizados pelo mercado financeiro, e seus feitores estão infiltrados onde lhes interessa.
19 junho 2006
MODELO DE CRESCIMENTO ECONÔMICO
Em 1989, no auge dos governos Reagan e Tatcher, reuniram-se em Washington, convocados pelo Istitute for International Economics, diversos economistas latino-americanos, funcionários do Fundo Monetário Internacional (FMI), do Banco Mundial, do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e do governo norte-americano. O que ficou conhecido como o Consenso de Washington, teria inicialmente, um caráter acadêmico, mas, acabaou tornando-se o receituário imposto pelas agências internacionais aos países que quisessem empréstimos. Dessa forma, FMI e demais agências incrementaram a monitoração – nome politicamente correto para uma ação politicamente incorreta de ingerência nos assuntos internos dos países pobres – das alterações “modernizadoras”.
Mas, como explicar, que as economias que seguiram esse receituário mágico, notadamente América Latina e África Subsaariana tiveram crescimento pífio em comparação à Coréia, China e Índia que adotaram modelos frontalmente diferentes?
Na verdade, o Consenso de Washington faz parte de um conjunto de reformas neoliberais que está centrado doutrinariamente na desregulação dos mercados, abertura comercial e financeira e redução do papel do Estado na economia. Infelizmente, essa proposta faz sentido para economias maduras onde o estado de bem-estar está devidamente concretizado e não onde os direitos sociais e a distribuição de renda são contos de fadas. Onde o Estado não tem servido historicamente aos interesses das classes dominantes.
O aumento do desemprego e a queda do rendimento real médio brasileiro é o maior dos últimos 15 anos. Tal fato, além das sérias repercussões na indústria e na economia (retração do mercado consumidor nacional), trazem em seu bojo o sentimento de “fim do sonho” de um governo de base popular que governa para o povo. Poderíamos falar ainda do baixo crescimento, do câmbio pouco competitivo e volátil, do crédito escasso e caro, da vulnerabilidade externa e da baixa taxa de investimentos. Mas, seria uma abordagem apocalíptica demais...
Enterrado o mercado nacional, só nos resta o mercado internacional. O ano de 2003 foi pródigo no setor externo. Foi realmente expressivo o ajuste realizado pela economia brasileira nos últimos dois anos. A conta corrente do balanço de pagamentos registrou saldo de 0,8% do PIB, contra um déficit de 1,7% em 2002 e 4,6%, também negativo, em 2001.
Esses resultados ainda não se traduziram de forma significativa nas reservas internacionais e na dívida externa. As reservas internacionais líquidas continuam na faixa dos US$ 21 bilhões e a dívida externa de US$ 220 bilhões representa 44,8% do PIB e 307% das exportações. Assim, só o pagamento de juros da dívida externa brasileira consomem 20% das exportações. O que é um percentual duas a três vezes maior do que o da maioria dos países emergentes. E é essa vulnerabilidade externa que não nos deixa outra saída além das exportações.
Com a safra de grãos que era a grande aposta, prejudicada pelas chuvas, teremos que voltar nossas expectativas a outros setores. A indústria brasileira como um todo está em recuperação, mas um segmento que tem peso elevado na indústria em todas as regiões do país e é grande empregador – que produz bens de consumo semiduráveis e não duráveis (alimentos, vestuário, utensílios domésticos, mobiliários, etc) – ainda se encontra em recessão. Isso vem ditando a lentidão e os tropeços da produção industrial. A recessão que permeia a economia, gera desemprego, que gera queda de consumo que gera queda de produção que gera desemprego.
Este círculo vicioso pode ser rompido, e não precisamos ressuscitar Keynes para isso. É necessário que os segmentos que vem liderando a recuperação, bens de capital e bens de consumo duráveis, cresçam com maior intensidade do que o que vem ocorrendo e que o emprego seja impulsionado por políticas dedicadas. Não necessariamente políticas macroeconômicas de juros, câmbio e fiscal. Parece que o Brasil perdeu a capacidade de pensar políticas pontuais. Que tal entender o programa “moderfrota” da agricultura para a indústria com o programa “moder-máquina” e potencializar o crescimento do setor de bens de capital? O que dizer de uma redução significativa no spread bancário? O Banco do Brasil e a Caixa Econômica podiam dar a partida, e o exemplo! A taxa Selic está em 16,25% ao ano, mas, o cidadão comum desconhece essa grandeza um vez que paga juros dez vezes maiores que isso. Ou ainda um programa decente de habitação popular para estancar a forte retração do setor que mais emprega no país?
Mas, como explicar, que as economias que seguiram esse receituário mágico, notadamente América Latina e África Subsaariana tiveram crescimento pífio em comparação à Coréia, China e Índia que adotaram modelos frontalmente diferentes?
Na verdade, o Consenso de Washington faz parte de um conjunto de reformas neoliberais que está centrado doutrinariamente na desregulação dos mercados, abertura comercial e financeira e redução do papel do Estado na economia. Infelizmente, essa proposta faz sentido para economias maduras onde o estado de bem-estar está devidamente concretizado e não onde os direitos sociais e a distribuição de renda são contos de fadas. Onde o Estado não tem servido historicamente aos interesses das classes dominantes.
O aumento do desemprego e a queda do rendimento real médio brasileiro é o maior dos últimos 15 anos. Tal fato, além das sérias repercussões na indústria e na economia (retração do mercado consumidor nacional), trazem em seu bojo o sentimento de “fim do sonho” de um governo de base popular que governa para o povo. Poderíamos falar ainda do baixo crescimento, do câmbio pouco competitivo e volátil, do crédito escasso e caro, da vulnerabilidade externa e da baixa taxa de investimentos. Mas, seria uma abordagem apocalíptica demais...
Enterrado o mercado nacional, só nos resta o mercado internacional. O ano de 2003 foi pródigo no setor externo. Foi realmente expressivo o ajuste realizado pela economia brasileira nos últimos dois anos. A conta corrente do balanço de pagamentos registrou saldo de 0,8% do PIB, contra um déficit de 1,7% em 2002 e 4,6%, também negativo, em 2001.
Esses resultados ainda não se traduziram de forma significativa nas reservas internacionais e na dívida externa. As reservas internacionais líquidas continuam na faixa dos US$ 21 bilhões e a dívida externa de US$ 220 bilhões representa 44,8% do PIB e 307% das exportações. Assim, só o pagamento de juros da dívida externa brasileira consomem 20% das exportações. O que é um percentual duas a três vezes maior do que o da maioria dos países emergentes. E é essa vulnerabilidade externa que não nos deixa outra saída além das exportações.
Com a safra de grãos que era a grande aposta, prejudicada pelas chuvas, teremos que voltar nossas expectativas a outros setores. A indústria brasileira como um todo está em recuperação, mas um segmento que tem peso elevado na indústria em todas as regiões do país e é grande empregador – que produz bens de consumo semiduráveis e não duráveis (alimentos, vestuário, utensílios domésticos, mobiliários, etc) – ainda se encontra em recessão. Isso vem ditando a lentidão e os tropeços da produção industrial. A recessão que permeia a economia, gera desemprego, que gera queda de consumo que gera queda de produção que gera desemprego.
Este círculo vicioso pode ser rompido, e não precisamos ressuscitar Keynes para isso. É necessário que os segmentos que vem liderando a recuperação, bens de capital e bens de consumo duráveis, cresçam com maior intensidade do que o que vem ocorrendo e que o emprego seja impulsionado por políticas dedicadas. Não necessariamente políticas macroeconômicas de juros, câmbio e fiscal. Parece que o Brasil perdeu a capacidade de pensar políticas pontuais. Que tal entender o programa “moderfrota” da agricultura para a indústria com o programa “moder-máquina” e potencializar o crescimento do setor de bens de capital? O que dizer de uma redução significativa no spread bancário? O Banco do Brasil e a Caixa Econômica podiam dar a partida, e o exemplo! A taxa Selic está em 16,25% ao ano, mas, o cidadão comum desconhece essa grandeza um vez que paga juros dez vezes maiores que isso. Ou ainda um programa decente de habitação popular para estancar a forte retração do setor que mais emprega no país?
19 maio 2005
POLÍTICA ECONÔMICA OU ECONOMIA POLÍTICA
Afinal, a economia brasileira sofrerá as conseqüências da crise política?
Essa é uma pergunta de um milhão de dólares e seguramente a que mais tenho ouvido onde quer que eu vá.
Muito embora já seja quase um consenso que isso tudo não vai acabar em pizza. Ainda não ficou claro o “alcance das garras da mussarela”. Quem vai se enroscar e quem vai se safar?
Mas, voltemos à pergunta que não quer se calar: a economia está blindada? Quando argüido de questões mais técnicas, gosto de “pensar junto” com meu interlocutor levando-o a tirar suas próprias conclusões, mesmo que intuitivas. Por exemplo: você montaria um negócio em uma cidade conturbada pela mais vil das crises políticas? Claro que não! Pois bem, é dessa mesma forma que raciocinam os investidores na hora de tomar uma decisão dessa natureza. Então o que adiantaria alguém dizer para você que questões políticas não afetam os negócios e que os fundamentos econômicos estão sólidos e isolados dessas questões? Você não é um iniciado nem domina o economês, mas sabe muito bem que jabuti não sobe em árvore e em questão de dinheiro todo cuidado é pouco.
É realmente estranho toda a mídia repetindo sem parar a questão da blindagem econômica. Isso não existe! O que é possível é uma mitigação de alguns dos efeitos da crise. Mas blindar, isolar a crise é discurso. Como se tivessem descoberto o Graal dos tecnocratas – como fazer economia sem política ou política sem economia –. Quem vai fazer isso, o Palocci sem o Lula ou o Meireles sem o Mantega?
O que tem que ser feito, alunos dos primeiros anos do curso de economia já sabem. O problema não é técnico, é político-econômico. Então como isolar uma coisa da outra?
Nesse momento chegam os carregadores de números e estatísticas que calam os menos avisados com uma enxurrada de dados, de que a economia vai bem etc. Entretanto é importante uma análise comparativa desses dados ou você acabará inexplicavelmente afogado em um rio que tem em média apenas 30 cm de profundidade.
Imagine a seguinte situação: As 100 famílias da cidade de Bananas (fictícia) têm apenas os chefes de cada família empregada com $ 900 por mês, permanecendo desempregada todo restante da família. Dessa forma, em Bananas desemprego é substancial. Porém, um político populista se elege e promove algumas mudanças cosméticas na estrutura sócio-econômica da cidade. Bananas passa agora, a ter mais dois membros de cada família trabalhando e ganhando $ 400 cada um. Muito embora o chefe da família tenha perdido seu emprego, as autoridades anunciam com entusiasmo a expressiva queda do desemprego, dobrando o número de pessoas empregadas. Mas, notem que a renda familiar de $900, que anteriormente era a recebida apenas pelo chefe da família, caiu agora para $ 800, recebidos pelos dois outros membros da família ($400 cada um). Uma queda total de 11% nos rendimentos mensais de cada família.
Nas estatísticas de Bananas, como já falamos, é divulgada com destaque a queda do desemprego. Porém, a queda da renda média das famílias “aparece” misturada no meio de outros tantos números e não é discutida ou destacada em lugar algum.
Os empresários de Bananas vão ter alguma dificuldade para conseguir entender o porquê de, mesmo existindo mais pessoas trabalhando, ocorrerem mudanças nas cestas de compras (com substituição de itens de maior valor por itens de menor valor). Note que aumentou o emprego, mais pessoas passaram a consumir com suas próprias rendas, mas no geral a economia da cidade não melhorou. Esse é um bom exemplo de como uma informação pode ser manipulada e distorcer a percepção das pessoas e levá-las a juízos inadequados. Isso está acontecendo no Brasil hoje. O desemprego caiu, mas o salário médio também. Falamos do desemprego, mas não falamos do poder de compras das pessoas.
As exportações estão aumentando, mas sem grandes impactos internos importantes, além do estoque de divisas. Exploramos o mercado internacional com commodities que demandam pouca mão de obra. São mercados de uso intensivo de capital e não de mão-de-obra. A obsoleta infra-estrutura nacional de estradas, portos e ferrovias, que até agora tem sido ignorada pelo governo federal, gera desperdício e diminui nossa competitividade, incrementando ainda mais o custo-Brasil.
O investimento cai e a infra-estrutura se desfaz –¬ causas no curto prazo e conseqüências no longo prazo –. Quem vai pagar a conta?
Começamos esse artigo falando de investimento porque sabemos que economia – a ciência da escassez – é um cobertor curto, se cobrirmos a cabeça descobrimos os pés. Assim, o melhor caminho é o do crescimento e para isso o investidor é figurinha carimbada – vale mais.
As conseqüências já começam a aparecer. Segundo dados divulgados pela Comissão Econômica para a América Latina (CEPAL), o Brasil com 3,0% terá a 3a pior taxa de crescimento da região. Com essa taxa pífia de crescimento o Brasil estará na desonrosa 14a posição “ganhando” apenas das seguintes potências: Costa Rica, Equador, Guatemala e Haiti. A ex-falida Argentina (lembram?) já é a primeira com um crescimento de 7,3%. Para 2006, quando se projeta para o Brasil um crescimento de 3,5%, as expectativas são de que o Chile, com um crescimento estimado de 5,5%, lidere o bloco. Conforme explica o mesmo relatório, as projeções para 2006 são mais conservadoras por conta da esperada desaceleração da economia mundial.
Dessa maneira, gestores que apresentam estatísticas viezadas, como em Bananas, buscam faturar prestígio político agora, deixando a conta para as próximas gerações. Sem crescimento, a opção escolhida resulta em uma das maiores transferências de riqueza interna da história. A absurda tributação que ronda os 44% do PIB transfere recursos do setor produtivo para a máquina estatal – com o crescimento da “pizza ao invés do bolo”... –.
Todavia, não podemos esquecer a grandeza econômica do Brasil, muito maior do que toda essa lama do Congresso Nacional. Nem todas essas repetidas estórias de corrupção e pizza (então pizza alimenta corrupção?) têm nos impedido de levar nossa nação a uma condição mais democrática.
Assim, gostaria de concluir que blindagem é ficção, mas é obrigação dos tomadores de decisões macroeconômicas buscarem a mitigação dos efeitos dessa crise política na economia. É para isso que são pagos!
Essa é uma pergunta de um milhão de dólares e seguramente a que mais tenho ouvido onde quer que eu vá.
Muito embora já seja quase um consenso que isso tudo não vai acabar em pizza. Ainda não ficou claro o “alcance das garras da mussarela”. Quem vai se enroscar e quem vai se safar?
Mas, voltemos à pergunta que não quer se calar: a economia está blindada? Quando argüido de questões mais técnicas, gosto de “pensar junto” com meu interlocutor levando-o a tirar suas próprias conclusões, mesmo que intuitivas. Por exemplo: você montaria um negócio em uma cidade conturbada pela mais vil das crises políticas? Claro que não! Pois bem, é dessa mesma forma que raciocinam os investidores na hora de tomar uma decisão dessa natureza. Então o que adiantaria alguém dizer para você que questões políticas não afetam os negócios e que os fundamentos econômicos estão sólidos e isolados dessas questões? Você não é um iniciado nem domina o economês, mas sabe muito bem que jabuti não sobe em árvore e em questão de dinheiro todo cuidado é pouco.
É realmente estranho toda a mídia repetindo sem parar a questão da blindagem econômica. Isso não existe! O que é possível é uma mitigação de alguns dos efeitos da crise. Mas blindar, isolar a crise é discurso. Como se tivessem descoberto o Graal dos tecnocratas – como fazer economia sem política ou política sem economia –. Quem vai fazer isso, o Palocci sem o Lula ou o Meireles sem o Mantega?
O que tem que ser feito, alunos dos primeiros anos do curso de economia já sabem. O problema não é técnico, é político-econômico. Então como isolar uma coisa da outra?
Nesse momento chegam os carregadores de números e estatísticas que calam os menos avisados com uma enxurrada de dados, de que a economia vai bem etc. Entretanto é importante uma análise comparativa desses dados ou você acabará inexplicavelmente afogado em um rio que tem em média apenas 30 cm de profundidade.
Imagine a seguinte situação: As 100 famílias da cidade de Bananas (fictícia) têm apenas os chefes de cada família empregada com $ 900 por mês, permanecendo desempregada todo restante da família. Dessa forma, em Bananas desemprego é substancial. Porém, um político populista se elege e promove algumas mudanças cosméticas na estrutura sócio-econômica da cidade. Bananas passa agora, a ter mais dois membros de cada família trabalhando e ganhando $ 400 cada um. Muito embora o chefe da família tenha perdido seu emprego, as autoridades anunciam com entusiasmo a expressiva queda do desemprego, dobrando o número de pessoas empregadas. Mas, notem que a renda familiar de $900, que anteriormente era a recebida apenas pelo chefe da família, caiu agora para $ 800, recebidos pelos dois outros membros da família ($400 cada um). Uma queda total de 11% nos rendimentos mensais de cada família.
Nas estatísticas de Bananas, como já falamos, é divulgada com destaque a queda do desemprego. Porém, a queda da renda média das famílias “aparece” misturada no meio de outros tantos números e não é discutida ou destacada em lugar algum.
Os empresários de Bananas vão ter alguma dificuldade para conseguir entender o porquê de, mesmo existindo mais pessoas trabalhando, ocorrerem mudanças nas cestas de compras (com substituição de itens de maior valor por itens de menor valor). Note que aumentou o emprego, mais pessoas passaram a consumir com suas próprias rendas, mas no geral a economia da cidade não melhorou. Esse é um bom exemplo de como uma informação pode ser manipulada e distorcer a percepção das pessoas e levá-las a juízos inadequados. Isso está acontecendo no Brasil hoje. O desemprego caiu, mas o salário médio também. Falamos do desemprego, mas não falamos do poder de compras das pessoas.
As exportações estão aumentando, mas sem grandes impactos internos importantes, além do estoque de divisas. Exploramos o mercado internacional com commodities que demandam pouca mão de obra. São mercados de uso intensivo de capital e não de mão-de-obra. A obsoleta infra-estrutura nacional de estradas, portos e ferrovias, que até agora tem sido ignorada pelo governo federal, gera desperdício e diminui nossa competitividade, incrementando ainda mais o custo-Brasil.
O investimento cai e a infra-estrutura se desfaz –¬ causas no curto prazo e conseqüências no longo prazo –. Quem vai pagar a conta?
Começamos esse artigo falando de investimento porque sabemos que economia – a ciência da escassez – é um cobertor curto, se cobrirmos a cabeça descobrimos os pés. Assim, o melhor caminho é o do crescimento e para isso o investidor é figurinha carimbada – vale mais.
As conseqüências já começam a aparecer. Segundo dados divulgados pela Comissão Econômica para a América Latina (CEPAL), o Brasil com 3,0% terá a 3a pior taxa de crescimento da região. Com essa taxa pífia de crescimento o Brasil estará na desonrosa 14a posição “ganhando” apenas das seguintes potências: Costa Rica, Equador, Guatemala e Haiti. A ex-falida Argentina (lembram?) já é a primeira com um crescimento de 7,3%. Para 2006, quando se projeta para o Brasil um crescimento de 3,5%, as expectativas são de que o Chile, com um crescimento estimado de 5,5%, lidere o bloco. Conforme explica o mesmo relatório, as projeções para 2006 são mais conservadoras por conta da esperada desaceleração da economia mundial.
Dessa maneira, gestores que apresentam estatísticas viezadas, como em Bananas, buscam faturar prestígio político agora, deixando a conta para as próximas gerações. Sem crescimento, a opção escolhida resulta em uma das maiores transferências de riqueza interna da história. A absurda tributação que ronda os 44% do PIB transfere recursos do setor produtivo para a máquina estatal – com o crescimento da “pizza ao invés do bolo”... –.
Todavia, não podemos esquecer a grandeza econômica do Brasil, muito maior do que toda essa lama do Congresso Nacional. Nem todas essas repetidas estórias de corrupção e pizza (então pizza alimenta corrupção?) têm nos impedido de levar nossa nação a uma condição mais democrática.
Assim, gostaria de concluir que blindagem é ficção, mas é obrigação dos tomadores de decisões macroeconômicas buscarem a mitigação dos efeitos dessa crise política na economia. É para isso que são pagos!
O OTIMISTA DIRIA QUE HOJE ESTÁ MELHOR DO QUE AMANHÃ
Para discussão de assunto tão figadal temo cair em VDI (Volúpia de Desejos Incontroláveis), pois recomendar o uso de sapatos apertados para uma longa caminhada não me parece uma idéia muito popular. Mas, é importante perceber que taxa de juros é uma questão técnica que deve resistir aos aspectos políticos. Há que ser criado um escudo econômico que nos dê maior imunidade externa antes de qualquer coisa.
A atual estratégia, que envolve técnicas sofisticadíssimas de tentativa e erro, de apertar mais um pouquinho e ver o que acontece, nos expõe ao risco da falência do sistema produtivo nacional de graves conseqüências sociais e deveria ser evitada. Mas, querer e poder são duas coisas distintas e no caso dos juros não é diferente.
Em primeiro lugar, devemos entender a taxa básica de juros como um indicador das expectativas econômicas. Quando o COPOM anuncia uma queda está na realidade sinalizando expectativas positivas em relação à economia brasileira. Com a grande vulnerabilidade externa de nossa economia, uma vez que nossa dívida externa já representa 44,8% do PIB e as nossas reservas nivelando em US$ 21 bi, podemos dizer que o cenário internacional é fator crucial nas decisões do COPOM. Esse mesmo cenário que apresenta sinais de deteriorização acelerada com os picos de preços do petróleo e o agravamento da instabilidade no Oriente Médio.
Em segundo lugar, um indicador, como o próprio termo indica, é apenas um indicador e não uma meta em si. A discussão sobre qual a temperatura ideal para o doente, não deve obscurecer a questão principal: como curar o doente. A febre está alta porque há uma infecção no pobre do enfermo. Assim como os juros, que estão altos por uma série de razões que transcendem o simples desejo de fulano ou beltrano.
Os juros altos na economia brasileira sem controle de entrada e saída de capital, são atraentes ao capital especulativo, o primeiro, diga-se de passagem, a bater asas quando do esperado aumento nos juros americanos, explicam os indecentes lucros auferidos pelo sistema financeiro, bem como as imorais taxas de crescimento dos mesmos lucros se comparados com a média dos outros setores da economia.
Então por que mantemos os juros altos? Porque não existe alternativa, no curto prazo, à nossa atual necessidade de financiamento. Então é uma política de alto risco? Sim. Como disse antes não se trata de querer ou não, gostar ou não. Não tem outro jeito. Na realidade, uma análise do cenário atual, abre até a sombria possibilidade de um aumento na taxa de juros.
Argumentos do tipo: prejudica o crescimento; aumenta o desemprego incentiva o capital especulativo etc, são verdadeiros mas a recíproca não é inteiramente verdadeira. Essa relação não guarda transitividade, diriam os cartesianos. Baixar simplesmente a tava de juros, não garante crescimento, emprego ou qualquer outra coisa. Política Econômica não é carrocinha de pipoca que você coloca milho de um lado e tira pipoca do outro. Tem que ser planejando e com visão de longo prazo, de sustentabilidade. As mazelas que sofremos hoje, não são conseqüências de ontem. Foram constituídos, não cabe aqui o termo construído, ao longo de um período maior.
Não se trata de defender juros altos, mas não há, no curto prazo, outra saída. É urgente a definição de um Programa Econômico forte e consistente de recuperação da economia. Os cenários são preocupantes e não estamos preparados para eles. A carga tributária é excessiva, não existe controle de capitais, a infra-estrutura de transportes está uma calamidade e o desemprego já é o maior dos últimos 15 anos.
O dólar dispara, o risco Brasil volta a subir, a OPEP volta às manchetes mundiais e o que você gostaria de fazer, apostar tudo no “vermelho 15”?
A atual estratégia, que envolve técnicas sofisticadíssimas de tentativa e erro, de apertar mais um pouquinho e ver o que acontece, nos expõe ao risco da falência do sistema produtivo nacional de graves conseqüências sociais e deveria ser evitada. Mas, querer e poder são duas coisas distintas e no caso dos juros não é diferente.
Em primeiro lugar, devemos entender a taxa básica de juros como um indicador das expectativas econômicas. Quando o COPOM anuncia uma queda está na realidade sinalizando expectativas positivas em relação à economia brasileira. Com a grande vulnerabilidade externa de nossa economia, uma vez que nossa dívida externa já representa 44,8% do PIB e as nossas reservas nivelando em US$ 21 bi, podemos dizer que o cenário internacional é fator crucial nas decisões do COPOM. Esse mesmo cenário que apresenta sinais de deteriorização acelerada com os picos de preços do petróleo e o agravamento da instabilidade no Oriente Médio.
Em segundo lugar, um indicador, como o próprio termo indica, é apenas um indicador e não uma meta em si. A discussão sobre qual a temperatura ideal para o doente, não deve obscurecer a questão principal: como curar o doente. A febre está alta porque há uma infecção no pobre do enfermo. Assim como os juros, que estão altos por uma série de razões que transcendem o simples desejo de fulano ou beltrano.
Os juros altos na economia brasileira sem controle de entrada e saída de capital, são atraentes ao capital especulativo, o primeiro, diga-se de passagem, a bater asas quando do esperado aumento nos juros americanos, explicam os indecentes lucros auferidos pelo sistema financeiro, bem como as imorais taxas de crescimento dos mesmos lucros se comparados com a média dos outros setores da economia.
Então por que mantemos os juros altos? Porque não existe alternativa, no curto prazo, à nossa atual necessidade de financiamento. Então é uma política de alto risco? Sim. Como disse antes não se trata de querer ou não, gostar ou não. Não tem outro jeito. Na realidade, uma análise do cenário atual, abre até a sombria possibilidade de um aumento na taxa de juros.
Argumentos do tipo: prejudica o crescimento; aumenta o desemprego incentiva o capital especulativo etc, são verdadeiros mas a recíproca não é inteiramente verdadeira. Essa relação não guarda transitividade, diriam os cartesianos. Baixar simplesmente a tava de juros, não garante crescimento, emprego ou qualquer outra coisa. Política Econômica não é carrocinha de pipoca que você coloca milho de um lado e tira pipoca do outro. Tem que ser planejando e com visão de longo prazo, de sustentabilidade. As mazelas que sofremos hoje, não são conseqüências de ontem. Foram constituídos, não cabe aqui o termo construído, ao longo de um período maior.
Não se trata de defender juros altos, mas não há, no curto prazo, outra saída. É urgente a definição de um Programa Econômico forte e consistente de recuperação da economia. Os cenários são preocupantes e não estamos preparados para eles. A carga tributária é excessiva, não existe controle de capitais, a infra-estrutura de transportes está uma calamidade e o desemprego já é o maior dos últimos 15 anos.
O dólar dispara, o risco Brasil volta a subir, a OPEP volta às manchetes mundiais e o que você gostaria de fazer, apostar tudo no “vermelho 15”?
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