Ao adotarmos uma análise de Gestão Macroeconômica, identificamos já nos seus quatro grandes objetivos, questões a serem discutidas de forma mais ampla. Produto, Exportações Líquidas, Preços e Emprego, são objetivos macro que sob o prisma do atual governo parecem desbalanceados.
Muito embora, Crescimento apareça nos compêndios de economia como um dos objetivos de Gestão Macroeconômica, insisto em ressaltar ser mais um meio do que um fim. No século XX, o Brasil foi uma das economias que mais cresceu no mundo. Mas, a concentração de renda aumentou significativamente nesse mesmo período, aumentando ainda mais a distância entre pobres e ricos. Será que o velho jargão “É preciso que o bolo cresça antes de dividi-lo” será ouvido novamente? O que precisamos é de ações genuínas de distribuição de rendas, e não de assistencialismos de curto prazo. Afinal pagamos impostos que atingem a inadmissível marca de 38% do PIB e recebemos de volta serviços de 5º mundo. Ao invés de cotas para negros nas universidades, deveríamos cuidar para que os mesmos recebam educação gratuita de qualidade no ensino fundamental. Ou alguém acredita, que uma pessoa despreparada, que obteve uma vaga na universidade, sairá de lá competitiva? É o famoso remédio para espirro. Aguardamos o “Espetáculo do Crescimento” que parecem acreditar que vai acontecer por decreto. Assumindo que a poupança interna não é suficiente para gerar investimento na escala necessária. Não nos resta outro caminho. Temos que aumentar a taxa de investimentos externos. Seria razoável acreditar que o investidor externo montasse uma operação fabril em um país onde suas fábricas pudessem ser invadidas por grupos descontentes. Ou mesmo, que investisse em produção agrícola em um país onde grupos de descontentes pudessem tomá-la e pronto? Ou mesmo onde cláusulas de contratos assinados legitimamente fossem desconsideradas, como ocorreu no caso das telefônicas? O estado de direito é o catalisador que no distingue da anarquia. Se a lei não está mais adequada, vamos estudar suas alterações. Mas, jamais ignorá-la.
Exportações Líquidas, uma boa notícia e assunto para um novo artigo.
Infelizmente, tornamos um antigo fantasma o inimigo público número um do país. Nada errado com a obstinação do governo em combater a inflação. O problema é o remédio matar o doente juntamente com a doença. Nada errado na abordagem neoclássica de juros em punho contra o dragão da inflação. Mas, não haveria aí também um problema estrutural? Afinal, quem vai abastecer a demanda na hora da largada. Essa indústria aneróxia sufocada pela falta de investimentos, que sequer mantiveram suas manutenções em dia? Importados?
Quando vamos a uma loja para uma compra a prazo, temos que passar pelo crivo de um analista de crédito. Ele vai analisar, basicamente, nossa capacidade de honrar as parcelas do empréstimo. Em outras palavras, avalia nossa estabilidade financeira. Pois bem, quando o Brasil vai ao FMI é semelhante. Avalia-se a capacidade do país honrar o compromisso. Dessa forma, o FMI tem destacado a capacidade do solicitante em gerar caixa. Ou seja, superávit fiscal. O país precisa arrecadar mais do que gasta. A arrecadação de impostos – a principal receita dos governos – deve ser menor do que seus gastos – que mantêm a máquina do governo funcionando -. Ora, sabemos (e rezamos todos os dias por isso) que os impostos não podem mais aumentar. Assim, resta ao governo a redução de seus gastos. Essa redução pode ocorrer principalmente, pela redução de sua folha de pagamentos (mas não é esse o caso), pela redução de suas despesas de pessoal – benefícios, mordomias, privilégios (está no caminho) -, ou na redução de seus gastos em contratações de serviços de terceiros (obras e serviços em geral). Ora, o superávit exigido pelo FMI, nos leva, obrigatoriamente, à uma drástica redução de gastos do governo. Com reflexos em cascata sobre toda a economia. Assim, o FMI criado no pós-guerra com o intuito de sustentar a saúde do sistema financeiro internacional, acaba por criar um garrote no crescimento das nações menos desenvolvidas que dependem mais fortemente dos gastos do governo. O setor privado, no caso das nações menos desenvolvidas, não é capaz de geração de empregos suficientes para sustentar o crescimento do país.
Com os objetivos comprometidos dessa forma, fica pouco produtivo falarmos dos instrumentos de política econômica. As Políticas Fiscal, Monetária, de Rendas, Cambial e de Comércio Exterior são apresentadas, nos planos de governo, de forma pouco clara e desconexa.
19 fevereiro 2005
19 setembro 2004
Voo de galinha
Costumamos chamar de vôo de galinha um crescimento espasmódico como o da economia brasileira. Isso se concordarmos em chamar os números que aí estão de crescimento. Não há nenhuma surpresa no desempenho medíocre da economia brasileira. O Brasil tem crescido a taxas menores do que a economia mundial de forma sistemática e não apresenta sinais de melhora no curto prazo. Nem poderia. Não existe um plano de crescimento econômico estruturado e implantado. Sem um plano estabelecido o máximo que podemos fazer é uma gestão de oportunidades. Mas, dessa forma não construímos um crescimento sustentável. Estamos apagando incêndios, ou quando muito matando o leão do dia.
São ondas de oportunidades perdidas em âmbito mundial que se refletem de forma perversa internamente. No momento, agricultores que apostaram na exportação de grãos e foram consumidos pela taxa cambial, estão vendo seus empréstimos junto ao Banco do Brasil se transformar em Dívida Ativa da União. A taxa de câmbio é flutuante (híbrida), dizem os tecnocratas do governo, mas a taxa de juros interna respaldada pela Selic do Banco Central, é determinada pelo Copom e incentiva a entrada maciça de capital especulativo alienígena e, portanto, afeta diretamente a taxa de câmbio. Explico melhor: Com a taxa de juros interno maior do que a externa, o capital especulativo (que não constrói nada) invade o mercado e derruba os preços da moeda estrangeira. Ou seja, o governo não regula a taxa de câmbio, mas interfere diretamente na mesma. Houve planejamento? Há crescimento sustentável? Quem se aventura? Isso mesmo, empreender no Brasil está se tornando uma aventura. Há muito que passamos da análise de risco de negócios para análise de espírito de aventura do empreendedor.
O Brasil cresce a taxas abaixo do próprio crescimento vegetativo e além da perda de competitividade internacional começa a ver sua hegemonia fortemente ameaçada. Com o grande cartel bancário instalado no país, estamos promovendo a maior transferência de recursos do setor produtivo para o setor especulativo da história da humanidade sob o olhar complacente de nossas autoridades monetárias. Nossas empresas passam a ser galinhas mortas em termos de preço e, portanto, presas fáceis para as transnacionais.
Na contramão da história, estamos aumentando a participação do Estado na economia, com crescimento insustentável dos gastos do governo com uma insuportável burocracia de controle do Estado sob a atividade econômica. Essa burocracia míope que parte do sentimento congênito de que todos querem fraudar os cofres públicos, até que se prove o contrário. Não são capazes de perceber que uma carga tributária aviltante de mais de 37% passada de forma linear à todos os agentes econômicos, aliada a desprezo ao princípio tributário da simplicidade, criam um verdadeiro país do faz de conta.
Vejam algumas características dos países campeões de crescimento:
• Investimento maciço em educação de qualidade. Observem que é justamente o contrário de “investimento de qualidade em educação maciça”. A Korea, por exemplo, investiu no ensino público de primeiro e segundo grau. O terceiro grau é privado. Estamos precisando formar “doutores” em massa no nosso país?
• Incentivo aos novos negócios. Também é diferente de “os novos negócios do incentivo”.
• Baixa burocracia. Justamente o contrário de “burocracia baixa”.
• Carga tributária simples e em torno dos 20%.
• Baixa participação do Estado na economia. Ops!
• Planejamento de longo prazo, integrado e que transcende mandatos políticos.
• Direito é direito e obrigação é obrigação. Voto (direito do povo de uma nação democrática) obrigatório?
Com algumas variações, esses são pontos comuns entre os campeões e que infelizmente, insistimos em ignorar.
Uma política de geração de empregos que ignora que o emprego surge da geração e crescimento da atividade econômica é no mínimo infantil (senão eleitoreira). A América Latina está tomada por um perigoso surto de populismo que não consegue sequer gerar resultados de curto prazo.
O Brasil está, em termos de modelo de crescimento, um verdadeiro caos. O estudo de modelos caóticos é acadêmico e realmente não gostaria de vê-lo experimentado na minha cabeça. Discutimos casos isolados e pontuais. Não há visão integrada e, portanto, uma gestão que busca maximizar os resultados de raríssimas coincidências de momento.
Uma pena o que está acontecendo com o Brasil. Mas, quem é o responsável? A resposta é muito simples – eu e você. Então, meu amigo, vote consciente e não me diga que não tem nada com isso.
Vamos parar de dizer que Deus é brasileiro e pedir para que Ele abençoe o nosso amado Brasil!
São ondas de oportunidades perdidas em âmbito mundial que se refletem de forma perversa internamente. No momento, agricultores que apostaram na exportação de grãos e foram consumidos pela taxa cambial, estão vendo seus empréstimos junto ao Banco do Brasil se transformar em Dívida Ativa da União. A taxa de câmbio é flutuante (híbrida), dizem os tecnocratas do governo, mas a taxa de juros interna respaldada pela Selic do Banco Central, é determinada pelo Copom e incentiva a entrada maciça de capital especulativo alienígena e, portanto, afeta diretamente a taxa de câmbio. Explico melhor: Com a taxa de juros interno maior do que a externa, o capital especulativo (que não constrói nada) invade o mercado e derruba os preços da moeda estrangeira. Ou seja, o governo não regula a taxa de câmbio, mas interfere diretamente na mesma. Houve planejamento? Há crescimento sustentável? Quem se aventura? Isso mesmo, empreender no Brasil está se tornando uma aventura. Há muito que passamos da análise de risco de negócios para análise de espírito de aventura do empreendedor.
O Brasil cresce a taxas abaixo do próprio crescimento vegetativo e além da perda de competitividade internacional começa a ver sua hegemonia fortemente ameaçada. Com o grande cartel bancário instalado no país, estamos promovendo a maior transferência de recursos do setor produtivo para o setor especulativo da história da humanidade sob o olhar complacente de nossas autoridades monetárias. Nossas empresas passam a ser galinhas mortas em termos de preço e, portanto, presas fáceis para as transnacionais.
Na contramão da história, estamos aumentando a participação do Estado na economia, com crescimento insustentável dos gastos do governo com uma insuportável burocracia de controle do Estado sob a atividade econômica. Essa burocracia míope que parte do sentimento congênito de que todos querem fraudar os cofres públicos, até que se prove o contrário. Não são capazes de perceber que uma carga tributária aviltante de mais de 37% passada de forma linear à todos os agentes econômicos, aliada a desprezo ao princípio tributário da simplicidade, criam um verdadeiro país do faz de conta.
Vejam algumas características dos países campeões de crescimento:
• Investimento maciço em educação de qualidade. Observem que é justamente o contrário de “investimento de qualidade em educação maciça”. A Korea, por exemplo, investiu no ensino público de primeiro e segundo grau. O terceiro grau é privado. Estamos precisando formar “doutores” em massa no nosso país?
• Incentivo aos novos negócios. Também é diferente de “os novos negócios do incentivo”.
• Baixa burocracia. Justamente o contrário de “burocracia baixa”.
• Carga tributária simples e em torno dos 20%.
• Baixa participação do Estado na economia. Ops!
• Planejamento de longo prazo, integrado e que transcende mandatos políticos.
• Direito é direito e obrigação é obrigação. Voto (direito do povo de uma nação democrática) obrigatório?
Com algumas variações, esses são pontos comuns entre os campeões e que infelizmente, insistimos em ignorar.
Uma política de geração de empregos que ignora que o emprego surge da geração e crescimento da atividade econômica é no mínimo infantil (senão eleitoreira). A América Latina está tomada por um perigoso surto de populismo que não consegue sequer gerar resultados de curto prazo.
O Brasil está, em termos de modelo de crescimento, um verdadeiro caos. O estudo de modelos caóticos é acadêmico e realmente não gostaria de vê-lo experimentado na minha cabeça. Discutimos casos isolados e pontuais. Não há visão integrada e, portanto, uma gestão que busca maximizar os resultados de raríssimas coincidências de momento.
Uma pena o que está acontecendo com o Brasil. Mas, quem é o responsável? A resposta é muito simples – eu e você. Então, meu amigo, vote consciente e não me diga que não tem nada com isso.
Vamos parar de dizer que Deus é brasileiro e pedir para que Ele abençoe o nosso amado Brasil!
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